Olá, eu sou a Marcela Sperdute, consultor e comunicadora. Eu sou o Alex Fornazari, consultor e executivo. E eu, Maurício DePaula, diretor criativo e diretor de fotografia. Sejam bem-vindos. Esse é o Afirma, um podcast de conversa sobre gestão, comportamento e carreira. Aqui a gente fala sobre o mundo do trabalho a partir de experiências reais, pontos de vista diferentes e dilemas resistenciais da vida corporativa.
Temporada 2 · Episódio 06
Quem é você sem o seu CARGO?
Apresentado por Marcela Sperduti, Maurício DePaula, Alex Fornazari e Julio Mello. Convidados: Camille Lau. Duração: 43 minutos.

Quanto da nossa identidade está no trabalho? Neste episódio da aFirma, recebemos Camille Lau para uma conversa sobre carreira, identidade e os desafios de construir uma trajetória profissional sem deixar que ela defina quem somos.
Transcrição completa do episódio8.921 palavras+
E antes da gente começar, por favor, não se esqueçam de seguir a gente, ligar lá o sininho pra ser avisado de todos os próximos episódios da firma. E bora lá pra pauta? Bora pra pauta. Pauta de hoje. O cargo que você ocupa é quem você é, de verdade? Aiaiaiaiaiaiai. Parece que a gente vive sobre uma contradição constante no trabalho.
A voz do bom senso repete que ninguém deve se definir pelo cargo que ocupa. Mas às vezes parece que a empresa promove justamente quem mais se entrega além do combinado. No Brasil isso pese um pouco mais. Porque o cargo nunca é sua função, é status, é a resposta automática para... E você? Faz o quê? É o sobrenome que a gente empresta da empresa grande, é o que está estampado no nosso perfil do LinkedIn.
O problema aparece no dia em que o cargo vai embora, por demissão, por restruturação, ou um profissional mais novo que chegou, ou uma tecnologia mais barata. E aí a pessoa descobre que o título que ela ostentava era, na verdade, alugado. Na conversa de hoje, na firma, não vamos falar sobre como separar a vida e o trabalho.
Vamos entrar em território mais incômodo. E se essa fusão da vida com o trabalho não for um defeito que precisa ser corrigido, mas sim o preço que o próprio sistema cobra? A pergunta de fundo não é se você tem uma identidade fora do cargo, é se você ainda saberia acessá-la depois de 20 anos terceirizando esse trabalho para o crachar.
E aí, para essa conversa cheia de contradições e ângulos meio pontiagudos, nossa convidada especial é a Camille Lau. Todo executivo sabe montar aquela estratégia linda no slide, mas poucos conseguem fazer a estratégia virar realidade. E é exatamente nesse buraco entre o plano e a execução que a Camille construiu a carreira.
São mais de 15 anos liderando estruturas de marketing de gigantes como o Nestlé e Unilever, e de empresas brasileiras como o Ceara e Cimedi, sempre conectando a ambição lá de cima com o que dá para entregar lá embaixo. Já foi eleita uma das 100 executivas mais inovadoras da América Latina pela Bloomberg, e hoje quer levar esse olhar para empresas que querem performar e mudar ao mesmo tempo, sem ter que escolher apenas um dos dois.
Bem vindo, Camille. Obrigado por ter aceito o convite. Bem vindo, gente. Bem vindo, cara. Vamos abrir no Rock n' Roll, já, né? Essa pauta maravilhosa, incrível, cheia de contradições aqui. Tem como não ser Rock n' Roll. É, o Rock n' Roll é o que é possível. O que será? Um Heavy Metal. Vocês na bancada. Pode ser convidado.
Hoje é rádio a crachar, né? Hoje é rádio a crachar. Melhor rasgar o crachado que rasgar outra coisa. Você já não tô com um crachar em conversa. Certo. Você é ou você está no cargo? Quem começa? Eu botaria logo a nossa convidada. O Rock. Bom, atualmente eu não estou e não sou. Mas quanto você estava? Mas o cargo é a primeira vez na minha vida que eu tô passando por isso.
A sensação é que o mundo inteiro tá rodando e às vezes você tá observando. Mas durante a minha carreira inteira eu estive e fui. E eu tenho uma relação muito identitária com o meu trabalho, as empresas que eu trabalhei, as cadeiras que eu ocupei, as categorias que eu escolhi trabalhar e os times que eu formei. Em nenhum momento eu nem parei pra refletir que tinha uma opção de estar.
Eu percorri mais de 20 anos de carreira, sendo, vivendo e respirando e eu concordo com o que a gente falou na abertura é que eu olhei pro trabalho, o trabalho olhou de volta pra mim e essa relação me trouxe muito do que foi a minha vida. E agora eu tô encarando todo o resto da vida que não é o trabalho, de tudo que tem ali na roda da vida e tentando entender o que tem ali.
Vamos falar sobre isso. E vocês, em mau? Pra mim, na realidade, assim, pra mim sempre foi uma bola, uma mistura, toda essa questão de trabalho, família, mas de uma certa forma eu sempre procurei separar um pouco. A minha relação por empreender durante muito tempo é um pouco diferente desse mundo corporativo, mas sempre foi uma relação, eu acho que um pouquinho mais light, talvez, do que vocês que passaram por grandes corporações, pra achar a pesa muito, né?
Olha, eu acho que depende do momento da vida, eu consigo entender perfeitamente o que é que a gente vai ficar, diz, mas ao mesmo tempo é uma coisa que eu tento me policiar muito, que é uma coisa que a gente, eu sempre falo, quando a gente vê uma coisa que incomoda essa coisa de ser workaholic, de dar todo o tempo, eu era muito também, mas era uma coisa que me incomodava porque era assim, não conseguia estar no treino de ajudou do filho, tava sempre viajando, tava sempre fazendo alguma coisa.
E eu vou assim, meu Deus, eu vou perder grande parte da minha vida me dedicando à acionista e coisas, era uma grande gratificação. Só que ao mesmo tempo é um pouco cansativo, porque assim, não é possível que a vida se resuma só a isso. O que que eu sou além disso? Eu só vou pra academia pra não ter um problema no coração e pra não estar com colesterol lá em cima.
Eu sou a Marcella que faz tantas coisas. Eu estou a comunicadora e consultora, porque Marcella é muito mais do que o cargo que ela ocupa, mas eu só cheguei um pouco essa conclusão agora, sinceramente. E você, em Alex, já que você fica aqui perguntando as coisas pra gente de seu lado disso? Eu já me acomodei no quentinho de cargos e títulos, confesso.
A resolução que eu faço é que essa reputação que traz o cargo e o título se confundem naturalmente no momento, às vezes, de vida, que a gente tá aprendendo e formando um pouco a nossa personalidade e tal. O tapetinho vermelho, né? O tapetinho vermelho, isso que eu falo. Ah, é bom. O ebou. O ebou. O ebou. O ebou. O ebou.
O ebou. O ebou. O ebou. Isso daí deixa a gente meio inebriado. E chega uma hora que você assim, literalmente, você acredita que você é tudo aquilo, não só do ponto do show do rock, mas você começa a se sentir quase um astro do rock, né? É uma relação de pertencer, você pode pertencer a uma empresa, mas de alguma maneira isso se torna um aprisionamento.
Então você não é só aquela posição, mas você tem acesso concedido a todos aqueles benefícios e você acha que aquilo vai ser a de eterno, independente de onde você vai estar. É gostoso, né? Se você ocorrer esses lugares, fala que para subir tem plateia, tem aplausos, tem os prêmios, para descer aqui não tem. Você fala que eu sou foda, não?
Você não sabe que eu sou foda. Se eu vou colocar redinha, já é lucro, né? É, se você acha uma mentoria para cair, uma mentoria para ter um apagão de carreira, não tem isso. Tem mentoria para crescer, para performar, para criar uma empresa, mas não tem uma mentoria que te prepara para o momento que você vai ter uma interrupção na carreira não programar.
Eu queria entrar nesse momento da interrupção, porque a gente falou que é confortável, mental, inebria e tudo mais, mas o momento que vira essa chave, que a gente percebe que o convite para a área VIP do Rock não virar esse ano, como é que funciona isso? Como é que cai essa chave? Para mim foi uma queda, para todo mundo é doloroso, né?
Porque você fala, meu Deus, aquelas amizades que eu tinha não eram meus amigos de verdade. Mas a gente está falando de interrupção, convidado a se retirar ou você se retirando porque você quer? Eu acho que tem dois ângulos muito diferentes aí, né? Eu sinceramente acho que independente se é um lado ou outro isso acontece.
A minha visão é, independente de sair programado ou não, é muito bom você prestar atenção nas relações que você constrói e quanto você está subindo, porque eventualmente são elas que você está lá, a hora que você não tiver em lugar nenhum. E isso não é uma coisa que dá para você fazer depois. Então olhando para trás, eu acho que eu fiz isso até que bem, mas eu teria feito melhor e eu diria para outras pessoas.
Muito cuidado com como você vai construindo. Ah, você é só um CNPJ, não é verdade? Você é sempre uma pessoa. Você é sempre alguém olhando no olho de uma outra pessoa, tratando bem os seus fornecedores, conhecendo de verdade a vida das pessoas, as histórias das pessoas que trabalham para você. A hora que você estiver embaixo ou em algum lugar, não quero dizer isso como se fosse uma coisa negativa, porque eu acho que é uma boa oportunidade também de se reinventar.
Mas a hora que você estiver nesse lugar não desejado, é bom que você tenha construído alguma coisa no seu CNPJ. Então você está no cargo, se aproveita dele. Ele se aproveita de você e você se aproveita dele para construir. Essa é a chave, porque eu acho que muita gente esquece de se aproveitar. E se aproveitar não é só o Fórmula 1 VIP, não é só o show de rock.
É isso exatamente que ela está falando. Todas as feiras, todas as possibilidades. Isso é uma coisa que, quando virou a chave, por isso que eu falei convidada a se retirar ou se retirando porque quis. A gente até estava falando fora antes de começar a gravação. O medo de perder o contato com o mercado de trabalho. O medo de perder o contato com a realidade, com as formações, com tudo o que acontece quando você está dentro, principalmente de uma grande empresa.
Eu confesso que ainda estou com esse medinho porque ainda não completei um ano de CNPJ. Mas essa coisa que você falou, cultivar boas relações, elas são fundamentais. Eu saí, um dos meus fornecedores que era só de desenvolvimento de site, eles falaram assim, a gente vai te dar um presente, já que você vai virar consultor, a gente vai fazer o seu site para você.
Você tocou num ponto. Legal, hein? Eu volto a falar isso para todo mundo. Trate bem os seus fornecedores. Isso daria só uma pauta para falar sobre isso. Porque no fundo, no fundo, quem vai te segurar não são os seus clientes, são os seus fornecedores. E a hora que você aciona essas pessoas, elas vão querer lembrar não necessariamente alguma coisa que você fez no CNPJ, mas elas vão querer lembrar de alguma coisa que você viveu e é uma das coisas mais ricas para quem está buscando.
Você entender que do outro lado tem uma história, alguma coisa que te conecta. É uma pessoa do seu time, alguém que você mentorou é um fornecedor com quem você trabalhou. Que você sabe que quando você precisar puxar o fio para uma conversa, ele vai falar, essa é uma pessoa que eu quero ajudar, essa é uma pessoa que eu quero apoiar, já teve em algum outro momento.
Mas isso é na construção, é na subida, não tem como ser criada depois. Mas tem um fornecedor que some, né? É. Mas espera lá. Calma lá. Mas isso a gente surpreende bastante com quem... Se os caras aqui chamavam de brother, você é brother. Então. Há no meio da conta. No minuto seguinte... Eu admiro as voltas que o mundo dá me conforta.
Saber as voltas que o mundo dá, pelo que você faz também. Porque quando você está subindo, você também ajuda muita gente. Mas você se surpreende muito positivamente. Em muitas vezes. Você surpreendeu mais positivamente ou negativamente? Mais positivamente. Ah, que legal. Mas eu me surpreendi negativamente dos lugares de onde eu tinha certeza que eu falei, não, aqui eu acho que vai ter um suporte e realmente assim, eu sou zero a pessoa de se vitimizar.
Eu sei, a vida das pessoas segue. A gente já teve lá trabalhando, fazendo, mas talvez por eu ter feito muito, tinha uma expectativa diferente e a gente se surpreende, mas eu não acho que dá para parar aí. Eu acho que também é um momento maravilhoso para você entender quem são as pessoas que estão com você de verdade. Faça chuvou, faça som.
Amigos, fornecedores, não importa. Tira várias... Máscaras. Tira tudo. Derrubas, máscaras. Que bom, calia o que é. E aí você entende o que você construiu, você não construiu e é mérito seu também e é parte do outro que você não controla. Eu tenho uma pimenta para jogar ali, na verdade, olhando para trás nas nossas carreiras.
Já que a gente falou dessa construção na subida. E vou começar ali perguntando para cá diretamente. Quem não abraça tanto quanto estamos falando aqui, que abraçamos a nossa... Vistimos a camisa e tudo mais. Vocês acham que tem espaço para deslanchar na carreira quem realmente não vive nessa simbiose com a própria empresa?
Porque para mim é muito tênue essa linha entre meritocracia. Tem gente que quer ser bom o melhor líder, mas não quer trabalhar 25 horas por dia, sabe? Quando você acha que isso é possível? Eu consigo falar da minha trajetória e a trajetora que eu escolhi em um determinado momento da minha vida. Decidi que o trabalho ia ter um protagonismo muito grande.
Eu não tinha clareza de tudo que eu estava abrindo mão e a gente pode falar sobre isso depois porque são coisas que eu também... A hora que você para, você tem que olhar. E aí você não consegue desver algumas coisas. Você não teve a oportunidade de enxergar antes. Eu não tinha clareza de tudo que eu estava abrindo mão na vida pessoal, mas eu tinha muita clareza do que eu queria construir profissionalmente.
Então, eu fui ambiciosa, eu persegui os cargos, eu fiz uma lista de empresas e eu não susseguei enquanto eu não construí tudo que eu queria. E os times inclusive, que seguem trabalhando e performando, que dão orgulho muito grande. Mas não é a única maneira, essa foi a maneira que eu escolhi. Eu escolhi, tenho uma relação de simbiose, escolhi as marcas e as categorias e dar a minha voz para o trabalho e deixar que o trabalho ocupasse um espaço na minha vida.
Eu vi muitas outras pessoas que não tinham a mesma visibilidade, que não apareciam tanto, que não tinham a mesma postura, mas que às vezes decidiram se apoiar numa questão relacional. Às vezes se relacionar bem com alguém dentro da empresa e você vai crescendo junto ou alguém que tem uma facilidade muito grande, contar as histórias internas sem ter.
Então tem a qualidade de vida, mas tem uma entrega de alguma maneira, busca um outro caminho dentro da empresa. Pode ser o mérito, pode ser o relacionamento, pode ser a visibilidade. Não acho que tem um caminho só. Mas é mais fácil, quando você está lá entregando, está visível, você mostra que você está dedicada. Em culturas onde isso é valorizado, é uma mecânica para crescer.
E funcionar desde que o mundo é mundo. Eu queria puxar aqui um ponto, porque eu vi isso passando diante dos meus olhos. Essa questão, como a geração X se comportava, os baby boomers lá atrás e a geração Y hoje e para que caminho está indo a geração Z? Lavae ele com as gerações. Não vou pegar aqui forte aqui com os meninos não, não é isso.
Estou perguntando porque de fato é mais do que perceptível que a geração Z acelerou num nível, vamos falar assim, dessa busca pela carreira, pela ocupação dos cargos e assim por diante. Um pouco diferente do que foi com a geração X e nem vamos colocar aqui a questão dos baby boomers, porque esse lance de performance era uma coisa bem diferente.
E aí a gente vê hoje que a geração Z está vendo que seus pais se ferraram para caramba a turminha da geração Y. Mas isso foi uma coisa muito louca mesmo, porque as grandes relações que eu construí dentro das empresas eram essa turma da geração X. Quando chegou a galera da geração Y, quando eles começaram a acender nos cargos, era uma coisa quase que egocêntrica e tipo, eu preciso performar, se dane, beleza cara, se você é prioridade para mim eu te respondo, se não é deixa para lá.
E eu não estou falando isso de uma pessoa única e exclusiva. Eu vejo isso que é uma característica meio que geracional. Olá em. Olá em. Eu estou falando, real, estou dizendo assim. Eu sou Y em. Mas é lógico que existem as exceções, não é isso, mas eu estou dizendo que... Tô uma intersecção entre elas. Como é que a coisa aconteceu?
Eu vi, isso era muito claro, eu como fornecedor dentro das empresas, lógico que tipo entrou aquele lance de compliance, entrou uma série de coisas que foi meio que distanciando. Vai, vão falar assim as empresas, com os fornecedores, os clientes, não que antes era uma zona, não é nada disso. Mas que tipo de fato cara, começaram a virar tudo automática.
Deu para você entender? Mal, como eu vejo isso, não gosto também de rotular as gerações e colocar as pessoas em caixinhas, mas eu acho que eu sou de uma geração que buscava mais poder. O poder é muito mais fácil de você conquistar do que eu proposto. E a gente trabalha com uma geração que busca proposto, independente do rótulo que ela tem.
Eu vejo muito mais pessoas entrando no mercado de trabalho em busca de propósito. Então você pode ir pela autoridade, você vai usar isso, talvez seja uma porta de entrada. Você está no cargo, você está na posição, então as pessoas vão te ouvir. Existe um a mais que você vai conseguir, se você conseguir deixar essas pessoas no melhor delas, porque elas estão de alguma maneira conectadas com o propósito delas.
E se elas não acharam que você está conectado com o seu, você vai perder muita credibilidade no meio do caminho. Então quando eu falo que tinha uma simbiosa, não é de orca-roli que de trabalhar demais. É das pessoas entenderem o quanto aquilo era importante para mim, ter uma conexão com a empresa, com a visão da empresa e falarem não, poxa ela está vendo, o propósito dela está ligado nisso, eu quero fazer parte disso também.
Então para mim é menos sobre qual a geração que você é e o que as pessoas estão buscando, o que quem está ligado em poder em uma coisa relacional, em ambição de carreira e hierarquia, não necessariamente vai conseguir olhar para as suas pessoas e oferecer o que elas precisam. Eu estou na mesma linha que a Cami também, acho complexo a gente rotular as questões geracionais.
E comer que é rotulado, acho que é minha posição. Então talvez sim, voltando para a pergunta original da Marçela que é muito boa. O que precisa, qual é o tempero que precisa para chegar lá? A Cami trouxe dois pontos que eu concordo também. Primeiro será que ser o Orca Holic, dar o seu extra mile, não é o pedágio que o sistema cobra?
E eu acho que sim. Eu acho que sim. Eu acho que sim. Eu acho que sim. Eu vejo sim. Mas tem um outro lado também que é o lado relacional, que às vezes não é o profissional que trabalha hard, mas ele sabe construir relações de se mover dentro da empresa. Claro que na minha amostra de observar. Uma amostra reduzida. Não estou reduzida sim, mas é o que eu vejo das pessoas que acenderam até o topo.
Olha, com todo respeito, aptidões relacionais, elas despendem tanta energia quanto quem está trabalhando muito. Porque você despende uma quantidade de energia na retórica, não sei o que, tem hora que você não está afinto, a bateria social está baixa. E de novo, colocando a questão do Orca Holic, eu sempre acho que todos somos e não é uma coisa, não é sempre uma sensão negativa.
A minha pergunta, na verdade, tinha sido feita porque a minha ex-líder demandava muito da gente e nós demandávamos muito do nosso time, mas sempre buscando essa interseção que você tinha falado de propósito e tudo mais. Eu vi muitos líderes que não me lideraram, que assim, jogou o time inteiro no Burnout, as pessoas ficaram depressivas, era assim, qual a necessidade de colocar uma reunião seis horas da manhã de alinhamento.
Era uma coisa assim, as pessoas não entendiam que elas estavam fazendo ali. Por mais que elas gostassem muito do trabalho delas. Então é mais isso que eu estou falando. Como a gente faz para chegar lá, não temos fórmula, beleza, também acho que não temos fórmula. Mas assim, quem vem realmente premiado nesse sistema que tem cedo criado?
Porque é um sistema. É um sistema. É um sistema bruto. É, tem um, trazendo agora as histórias reais, né, tiveram pessoas que trabalharam comigo, eu sempre fui a pessoa que deu extra mile. Acho que tem... É verdade. Tinha síndrome de sexta-feira, e nisso que dá fazer podcast com os amigos. Que era assim, na sexta-feira eu ia para a sofá das pessoas para dormir.
Na sofá delas... É verdade. Eu não podia, acho que, por isso que tiraram a sofá até do podcast. Porque eu ia... Tem imagens. Tem sofá que soco. Tem uma série de recordações desses momentos, mas assim, eu sempre fui muito feliz fazendo o que eu fazia. É verdade também. Tava entregue também para esses desafios, não ficava só falando de trabalho, mas eu tinha realmente um nível de entrega a essa.
Tinha várias pessoas que trabalhavam comigo nesse momento, e elas falavam que, por que que você trabalha? Mas por que que você tá fazendo isso? Por que que não vai fazer diferença nenhuma pra você? E por que que você troca de empresa? Eventualmente você vai atrás da próxima posição, do próximo desafio. Como você tem coragem de sair de uma empresa desse tamanho com esse nome pra ir pra essas?
Pessoas que questionavam muitos movimentos que eu fazia e o nível de entrega. E aí depois de um tempo, as mesmas pessoas começaram a perguntar, mas como você conseguiu? Chegava, você chegou, mas como você virou diretor? Você era diretor, de repente, de repente você foi promovida, de repente... Nossa, é mágica, né? E aí ficou o negócio, e aí eu falo, gente, não tem milagre, ah, mas como que eu faço pra fazer você, vai lá e trabalha, eu não sei, eu não sei todos os métodos, mas eu sei o meu, eu fiz uma escolha, eu priorizei e eu investi nisso.
Foi na medida, não foi, tem coisas que eu faria diferente, eu sei. Sabe que foi legal? A sua escolha é uma escolha genuína, eu estou te falando de que eu te conheço, porque você é essa pessoa, você queria fazer isso. Eu queria poder ser diferente. O aprendizado, a trajetória jornada era importante pra você e você tava curtindo.
Eu estava me divertindo, eu estava me divertindo, eu me diverti muito também. Eu não vejo, tá? Ou pelo menos não é tão claro, né? Tem alguns que conseguem uma ascensão diferente disso, você não ter que correr atrás. Porque se você olhar hoje, toda a galera que tá na diretoria, na presidência, você vai ver que essa turma era tudo muito parecido no final, tá?
E tem lugares também de onde não cair, né? Essa coisa que eu falo do aprisionamento, assim, é solitário. Às vezes você precisa buscar uma compensação, tem que se preparar de alguma maneira pra entender quem você é fora de tudo aquilo, ainda que não sobra tanto tempo, mas um mínimo. Vamos falar sobre isso, quem você é fora daquilo, porque tem as escolhas, né?
E renúncias que você precisa fazer, mesmo se divertindo e gostando do que você faz. Tem que tá claro que você está abrindo mão de alguma coisa, você tem que tá com radar ligado pra isso, não dá pra só ir. Antes de a gente falar do preço, eu queria colocar uma lente em dois micromomentos dessa história. Eu acho que é muito interessante que é o evento social, o jantar que a gente tá.
Você tá conhecendo alguém e a pessoa pergunta, e aí, o que você faz? Não é quem é você? Que preguiça essa pergunta, gente. Aonde você trabalha. Não é como você está tudo guisando. Pelo amor de Deus, né? Acontece muito. É raro, mas é muito raro. Acontece muito. Acontece sempre. Eu tenho uma... E aí você percebe que quando você fala, é sua fulana, trabalha na empresa tal multinacional, dá aquela popula cresce.
Às vezes alguém já vai te apresentar de um jeito, né? O brasileiro é muito assim, mas você faz isso diferente em outras culturas, né? Se você tá na França, eu vou perguntar em que lugar você mora. Todos os centros. Um índio vai perguntar de que casta, de que geração que você vem. Essa pergunta sempre vai existir, ela quer levar pro mesmo lugar.
Eu vou falar o que eu sinto. Eu sinto que às vezes as pessoas querem saber, deixa eu ver se vale eu conversar com você. Essa coisa do crachar no evento quando a pessoa olha pra empresa antes de olhar pra você, é quando você tá mesmo. Claro. Eu acho esquisitérrimo, porque é isso. Deixa eu ver se vale a pena eu ficar cinco minutos aqui conversando com você, senão eu vou ali pegar o negócio.
E a pessoa que tá num evento, às vezes um aniversário, uma coisa é nada a ver. Deixa eu ver se é uma pessoa interessante pra eu sentar na sua mesa. Eu acho que a cultural existe em vários formatos diferentes, mas o brasileiro valoriza muito o cargo, a minutagem que você vai gastar naquela conversa. Eu vou falar que isso em todos os centros econômicos mundiais, que já morei em alguns e, cara...
É a conta sempre. São perguntas diferentes pra chegar na mesma resposta. O cargo em Milão era a mesma coisa, em Paris era a mesma coisa. E então, assim, acho que quando tem muito em jogo do que é essa oportunidade pra mim, como dizem na Itália, tudo o mundo é paese. Todos os lugares são iguais, tá ligado? E isso é uma coisa que me incomoda muito.
Eu já vi o olho. Pode ser que já tenha perdido muitas oportunidades de conectar... Já me viadinha... ... pros pessoas que vão, ó... Lá vai. Tudo bem, você. Eu pergunto de volta. E eu acho que se me perguntassem quem é você e responder, eu sou a Camille da empresa da Itália. Agora não mais, gente. Estou em busca de quem eu sou.
Estou em busca do meu eu. Outro micro momento que eu acho legal é a gente colocar uma luz nele, que é o momento do desligamento. Quando você saiu do cargo, você tá em casa no dia seguinte e aí caiu. Você caiu na realidade, falando, meu, hoje eu não vou pro escritor, acabou. É outra vida. Você percebe, eventualmente, que você não vai ter mais a renda que você tinha, né?
O contra-chaio é o que pega. Aí é o que pega. É, os benefícios. Tem toda aquela questão, às vezes, dependendo do desligamento. É uma coisa que desligou de manhã à tarde, você já tá fora do grupo do WhatsApp. Quando cai essa chave? Foda, hein? Muita. Não aconteceu comigo do bye bye, beijo tchau. Na verdade, foi sempre eu que fiz beijo tchau até agora.
Mas assim, eu fiquei muito feliz. Que eu falei assim. Me tiraram do grupo do WhatsApp. Sês meses de... Sês meses de alfa, né? Sês meses de liberação total de várias coisas pra fazer coisas que eu quero fazer, estudar o que eu quero. Na hora que eu quero viajar, no caso também mudei de país pra mim e é um grande privilégio.
Foi um recorte de grande privilégio. Eu fiquei super feliz. Não sei como teria agido se tivesse sido desligada. Acho que a mexer com a melto estime com meu ego, com certeza. Eu vivi isso pela primeira vez depois de muito tempo e pra mim foi muito difícil, porque é o que eu falei no começo. Parece que o mundo inteiro continua girando e você parou.
E assim, ter tempo é ter que olhar pra você. E esse talvez seja o trabalho mais difícil. Pra mim é menos sobre não estar trabalhando, porque eu não consigo parar e eu fico, né? Agora nessa atuação mais exacerve, seu escolho, os projetos. Mas é o tempo todo, aquela janela onde você sabe que você tem que olhar pra você e as outras coisas da sua vida, pras coisas que eu não tive tempo de olhar antes.
Então é a mente vazia. Pode ser uma oficina maravilhosa também, por isso que é importante. É muito bem acompanhada, muito bem guiada, tomando muito cuidado com quem você ouve. Porque cada um tem sua história, cada um tem a sua jornada. É de apoio correto, né? Não acho que é de atirar pedras e de dizer aonde tem culpa, aonde nada.
Eu acho que é uma oportunidade de se olhar. E eu percebi uma coisa muito importante. A minha carreira, quando eu conversava com o Red Hunter, estava fazendo entrevistas, eu ia contar em capítulos. E era sempre isso. Eu fiz isso depois aquilo, depois aquilo, depois aquilo. Agora é a primeira vez que eu estou olhando a vida em uma perspectiva mais longa, assim, de falar o que é essa jornada?
O que foi construído pra preparar um próximo? O que eu gostaria de fazer se eu pudesse escolher? Se eu não tivesse parado, gente, eu ia estar no próximo. Depois eu ia estar no próximo. Então eu não ia passar por todas as portas que fossem audaciosas o suficiente, ousadas o suficiente. Então eu acho que é uma oportunidade mais assim, dolorosa, processo de quem foi.
Quem cresce passa por essa dona. Eu estou falando que tudo tem que ser porrada, mas assim, que incrível isso, né? Estrenamente rico, como toda crise. Acho que toda crise é uma oportunidade, mas é uma crise. Estranho, porque se gerencia crise nas empresas o tempo todo. Eu nunca tive receio de acordar com o baita pipina um dia de manhã e aquelas crises que duram semanas que você está fazendo contingência.
Mas gerenciar as nossas próprias crises existenciais e as interrupções de carreira, muito mais difícil do que fazendo o trabalho. Mas quando você percebe que você consegue gerenciar, que você tem as rédeas, é libertador, né? Liberador demais. Não é? Não, poder historiário. Demorou pra você encontrar na sua entrada? Entrar nesse lugar?
Demorou. E algumas conversas, assim, que são muito transformadoras, que é isso do olhar pra trás e entender que você não era o cargo e que aquelas pessoas não passaram e se ver o que está sendo mais rico pra mim nesse momento é me ver através dos olhos das outras pessoas que me conhecem, que me falam coisas e me lembram histórias.
Quando eu falo qual que é o meu talento, meu talento é trabalhar. Meu talento era acordar e trabalhar e fazer o que precisava ser feito. Não importa se era minha função, minha área, se é o que estava programado, se é o que estava no script. Eu estou descobrindo quais foram os talentos que me fizeram performar e que me fizeram construir os times.
Então, me ver através dos olhos das pessoas, nessas conversas que eu estou tendo, está sendo bem rico. Tira que você falasse um pouco das renúncias. A gente falou que a gente estava no off record aqui, mas a pergunta é quem você era no domingo? Ou quem você era no domingo, né? Enfim, que o domingo é o dia das renúncias, né?
Se você está no cargo, o domingo é o dia que você tem que estar fora do cargo. Ou você estava no cargo no domingo também? Eu me vendia que o domingo era um dia de estudar pra ser um... Estudar para o cargo. Estudar para o cargo. Eu me vendia uma história de que autoconhecimento era importante. Eu comprava vários livros e vários cursos e eu me via sempre lendo os livros de negócio, os livros de inovação.
Eu me vendia um pouco isso também. Não só. Eu acho que eu nunca fui uma pessoa de trabalhar muitas e muitas horas. Não era uma questão disso de trabalhar 18, não era isso. Mas era de estar sempre pensando no trabalho. Sempre foi difícil pra mim desligar e tinha uns eventos no final de semana e tal. E eu renunciei algumas coisas assim.
Hoje, quando eu vejo meu filho pequeno, por exemplo, quando eu falei, a mamãe não estava mais trabalhando nesse lugar, a primeira coisa que ele falou foi, você vai no meu aniversário, então. No dia, porque o aniversário dele cai numa data que normalmente tem as convenções de vender e eu perdi muitas datas. E o filho mais velho já tem 23, quantas datas também foram perdidas.
Então, na percepção dele era um presente. Ele falou, então, talvez eu vou ter você no dia do meu aniversário. E muitas outras situações onde eu quis me fragmentar, a vantagem de fazer terapia é que você pode enxergar isso também. Me fragmentar em vários pedaços e falar, deixa eu ver o que serve aqui nesse cargo nessa função.
E tem algumas dessas partes que não vão servir aqui agora. E você vai se fragmentando e de repente você olha e fala, não, pera aí, onde que foi parar as outras coisas aqui? Conta aquela história do teu médico que falou em algum momento que você estava também em um quilômetro. Eu nunca tive essas crises emocionais, mas eu me lembro de uma situação que me marcou muito.
Foi numa consulta médica, eu conversei com minha ginecologista e eu falei, olha, eu tenho uma situação em relação ao meu período. É uma coisa que minha carreira não comporta, eu preciso revisitar, eu preciso encontrar uma solução para esse problema aqui. E eu levei esse tema para terapia, eu conversei com o meu terapia e ele falou, deixa eu entender uma coisa.
Ele estava dizendo que você não pode me instruar, porque você tem a palestra, a viagem, o avião e que a sua carreira não comporta que você seja mulher e viva um período do seu ciclo feminino, que no caso é da natureza da mulher, ela precisa viver. Eu disse, sim, eu preciso eliminar isso da minha vida, porque senão eu não vou conseguir trabalhar.
E aí ele ficou me olhando por uns 20 segundos, ele ficou sem saber o que falar. E eu falei, poxa, acho que agora eu forcei um pouco a barra. Acho que eu fui um pouquinho, acho que passou um pouco do ponto. E eu falei, será que é um absurdo que eu estou querendo fazer? Então é isso. É por isso que eu adoro a firma, cara, porque essas coisas, essas conversas aparecem.
Talvez tenham outras mulheres que estejam se identificando com as almas. Eu mudei de ideia, gente. Você mudou de ideia? Eu mudei de ideia, mudou. E eu falei, não, ele falou, então, minha recomendação é que você esgarse a sua vida profissional para que caiba a sua vida dentro dela. E se firem juntos de uma maneira de fazer isso.
Só da minha vida. Todos os filhos, marido, casa, período menstrual, sim. Cara, eu tenho, assim, certeza. Eu acho que, meu, várias mulheres vão se identificar com o que a cama está falando aqui, que passam por situações semelhantes. Quando você fala que é de, ah, como que é você acordar e você tem que pegar um avião, você tem que dar uma palestra no dia, pior dia do seu ciclo, você não consegue nem pensar nem levantar da cama.
Você toma um remédio e vai. Dependendo da liderança que você tem, você não vai poder falar, olha, a gente pode mudar, esse dia pode mudar essa data, você vai e faz. Primeiro, você vê a consequência depois. Já aconteceu com você, Marcelo Esperdoutinho? Com relação ao ciclo menstrual, não. Mas acho que também tem essa questão que a cama está falando, dependendo do mundo que você está.
Acho que hoje em dia tem muito mais abertura a se falar, inclusive, da licença do ciclo menstrual em muitos países. Isso já está sendo implementado, inclusive, nível liderança. Todos os níveis da empresa, que isso é uma questão de inclusão também, obviamente, é uma coisa que é importante, porque somos diferentes, temos essa questão fisiológica diferente.
A maior renúncia foram 17 anos fora, que continuam sendo escolha, mas muitos momentos eu queria estar aqui, perdi vários casamentos, quase casamentos de todos os meus amigos, dos primos, perdi vários aniversários do meu pai, da minha mãe, etc. Mas foi uma escolha deliberada de carreira, você ficar fora. Porque, gente, não tinha como, por mais flexibilidade que eu tivesse, no começo não tinha disponibilidade financeira, daí quando tinha disponibilidade financeira não tinha agenda para ficar voltando, e não é que você pode ficar e bate volta a Europa todo o tempo, no caso, poder pode, mas acho que é meio insalubre, no caso.
Então essa foi uma grande renúncia para mim. E você, maluco, já renuncia algumas coisas? Já. Já, eu sei que já. Quer falar respeito ou não? É. Vamos lá. Bom, primeiro, tive vários problemas, principalmente por questão de trabalho, quer dizer, quem trabalhou com a agência sabe como é que é, depois, principalmente, que virou mercado essa coisa de concorrer em seu tempo inteiro, você tem pouco tempo para poder pegar e apresentar um projeto, beleza.
No meu casamento, cara, viagem marcada, hotel pago, eu simplesmente não fui para minha lua de mel. Ah, eu não sabia disso, como assim. Olha isso, hein. Que corte lindo, maravilhoso que teremos agora. Não foi para sua lua de mel. Não. Qual foi o resultado disso? Cara. Acabou o casamento. Não, porque tá casado até hoje. Mas, mal, era irrenunciável?
Você teria feito diferente hoje em dia? Teria. Não, porque olha só, aí que tá a história, aconteceram várias coisas. No meu primeiro casamento, a mesma coisa, eu tava na Europa, tava em Paris de Paris, eu ia para a Inglaterra, o cliente me ligou, tava tudo certo, tudo ok, as coisas estavam andando e tal, eu quero você aqui.
Não, mas isso resolve, manda pra cá e tal, não sou que... Você quem sabe. Game over, praticamente. O dia que eu não tinha. Cara, cá tem um voo, eu ia ficar mais uma semana na Inglaterra, paguei uma puta diferença pra poder remarcar meu voo, voltei, você imagina, né? Isso o primeiro casamento. Cheguei aqui, coisa mais ridícula do mundo, que se resolvia por telefone, nada.
Cara, ridículo. Aí só concluindo, o segundo, que eu não fui, eu tava em duas concorrências de duas empresas, detalhe, uma delas já tava pronta, a campanha pronta e aí foi exatamente ao contrário, o cliente começou a adiar. Ah não, essa semana não, ou seja, já tava marcado, depois foi adiando e a segunda eu tentei antecipar, porque tava tudo pronto.
Ah não, Maurício, não dá, porque todas as agências vão ter que apresentar no mesmo dia. E aí era fundamental eu estar nessa apresentação. E aí ficou também aquela coisa de agendar e no final acabou, eu casei em um domingo, uma apresentação, foi nas segundo às oito horas da manhã. Ok. A pergunta é, você chegou bebado na apresentação?
A gente quer saber se você chegou em bragado. Foi o mínimo que você poderia fazer, né? A diferença é o que é, cara. Eu cheguei, tipo, o meu mais pra lá do que pra cá, mas beleza, tava lá. Apreste tu ganha a concorrência. Então, detalhe, essa da segunda-feira, os caras abortaram a concorrência, se é que vocês acreditam.
Tipo, cancelou. A segunda, a gente ganhou a concorrência, era da empresa que eu posso falar o nome, que não tem problema, era da Mante Corpe, só que detalhe, a gente ganhou, beleza, fui pra Lô de Mel, tal, não sei o que, isso foi em setembro, quando chegou em dezembro, a gente assinou contrato aquela coisa toda, a Mante Corpe foi comprada por outra empresa.
E tchau. Acabou. Ou seja... Isso que eu tô tentando, tipo, isso que eu tava pensando agora, por isso que é a coisa do ser ou estar, que em muitas línguas, na verdade, quer dizer mais ou menos a mesma coisa, e é uma questão de permanência e impermanência, mas assim, a gente tem que realmente acreditar e tem que fazer feliz o que a gente faz, mas sem jogar todas as nossas fichas que depois a gente vai falar assim, puta, minha rependi teria feito diferente, que tá vendo de um momento pro outro, é igual cargo, gente, desculpa, são coisas muito diferentes, mas gente, a gente não tem certeza de absolutamente nada, a gente tem uma nossa, eu acho que é uma ilusão mesmo, né?
Eu acho que volta pra consciência, você tem consciência do que você tá escolhendo, porque é nisso de você abrir mão de uma série de coisas da vida privada, em nome do profissional, mas a sua família também se beneficia de uma série de questões. Exato, exato. É um tipo de iniciativa, que assim, estar no mínimo de equilíbrio, é consciente que você tá olhando pra isso, você tá colocando tudo isso no papel, não dá pra viver como se não houvesse amanhã.
Acho que a minha família sempre teve clareza também do benefício que a gente tinha por tal, o sufruindo daquilo, e você vê quando falta, a falta que faz. Ah, vou aproveitar esse gancho e puxar o último quadro do programa, que é o elefante na sala. Ah, não tinha ainda nenhum. A gente tá inaugurando nessa temporada o elefante na sala, antes chamava opinião que pode me cancelar, mas aí a gente foi meio que cancelado, algumas a gente não quer.
Quase todas, né, branding. Vamos no elefante, o elefante pode ser um pouco mais pesado, mais leve, depende, pode ser uma pergunta, pode ser qualquer coisa. É aquilo que todo mundo tá vendo, mas ninguém tá falando, o rei está no, mas ninguém está falando. Quem começa? Óbvio que é convidado, né? Você tem um elefante? Se quiser, pode falar o mesmo, mas...
Pode falar o seu. O meu elefante é, levanta a mão quem já foi promovido depois de ter uma vida equilibrada. É isso. Tá intimidade agora? Tá super fácil. Só com. Mas é. Ficou intimidade, convidada. A ideia era essa mesmo. Hoje eu tô ácido, hein? Meu Deus, que dia de só ele tá. É só porque o começo da segunda temporada continua nesse dia.
A primeira gravação do dia a gente fica assim, botar alguma coisa na nada. Até tomar uma água. Mas eu já fui promovido, tendo uma vida mais equilibrada. Eu nunca fui assim. Aí eu vou falar um pouco de mim. Eu nem coloquei um pouco como eu lido com essa questão. Eu sempre fui uma pessoa que buscou o equilíbrio. O final de semana era importante, a vida na família é importante.
Quando eu tinha que trabalhar 12, 13, 14 horas eu trabalhava, mas nunca foi uma questão pra mim de vou me dedicar, vou como você, né, com a tua pegada. Eu me considero uma pessoa equilibrada. A minha área sempre foi uma loucura, né, velho? E aí era aquela coisa. Quer dizer, eu dei aqueles dois exemplos, mas cara, quantos não foram de viagens que eu não pude ir, porque meu, a pintou de última hora tal da concorrência.
A pintou de outra hora, não sei o que, chega uma hora, né, quer dizer, eu mesmo acabei com agência, porque o maior motivo era essa questão, né, absurdo. Mas aqui no Brasil, eu acho bem complicado esse tipo de coisa, né? Eu acho que pra mim o elefante dentro da sala é que a gente, lógico, você acumula uma carreira inteira independente do formato que você trabalhou, do quanto tempo você se dedicou, do que você era o workaholic ou não.
Mas é muito difícil você encontrar esse equilíbrio entre o saber e o ter o cargo. Então esses nomes que você coloca no currículo é muito difícil. Se você se desapegar disso de certa maneira, fica tudo ali um pouco tatuado. Na sua história é um pouco difícil de dissociar. O conhecimento é todo seu. Ele não tá atrelado, necessariamente, a nenhuma empresa pela qual você passou.
Mas aonde você encontra um lugar onde saber é mais importante do que você ter aquela posição ter passado por aquela empresa. Bom ponto, bom ponto. Isso é muito importante. Eu tenho um elefante e um elefantinho. Porque assim, eu ainda acho que tem muita gente que usa os cargos como muleta pra não olhar para outros aspectos da vida.
O elefante é esse. Qual é a sua muleta hoje? Você vai continuar. Tá fugindo do que? Exato. Qual é a sua muleta hoje? E o segundo que pra mim é um elefantão, que a gente continua olhando pro nosso recorte social. Somos de novo um recorte privilegiado, acho que principalmente falando de Brasil. Todas as pessoas têm acesso a poder se dedicar, ou gostaria talvez de se dedicar mais, mas tem uma desculpa, vai ter pi, uma caralhada de coisa acontecendo na própria vida.
Mãe solo, pai solo, não tem rede de apoio, não sei o que. Então assim, eu ainda não vejo a inclusão e a equidade nessa questão aqui. Então a gente tá sempre falando de recortes que vão ser mais privilegiados do que outros pra poder decidir se ser ou estar. Porque tem gente que não consegue nem decidir se ser ou estar. É isso aí.
Perfeito. Ainda é um privilégio. Você pode escolher. A escolha ainda é um privilégio. Porque se não você só tem um caminho só. Dentro de uma família, dentro de um casal não dá pra dois necessariamente criarem uma família. É isso. Acabou. Vemos elefantes, hein? Colocamos aqui. Eu vou trazer só um outro pontinho aqui pra gente concluir aqui.
Desculpa eu te cortar. Será que um dia isso vai mudar? Dessa loucura do que é questão do trabalho, tal. Ou seja, a gente chegou num ponto, tudo bem. É isso que a gente tá falando. A galera nova aqui tá querendo ir pro um outro lado. Será que a gente chega no meio termo aí ou não? As gerações novas já estão demandando um pouco mais esse equilíbrio.
Acho que pela transformação do mercado, independente de gerações, trabalho antes era pra vida, né? A gente é um trabalho, tinha muitos anos e tal. Hoje você tem a opção de trocar de empresa, agora você tem a opção de trabalhar, Freelance, Noma, de part-time, que é uma coisa que eu tô descobrindo e dedicando as minhas horas.
A vida inteira eu achei que eu tinha que ter um cargo numa empresa e fazer uma jornada com um ciclo no mínimo de três anos pra poder contar uma história. E hoje você consegue contar a história em seis meses, se dedicando a um projeto são formatos diferentes. E se você quer falar de geração, uma geração de mais de 60 anos, que é uma baita experiência e que não tão ranqueando bem pras vagas atuais, como que essa geração também vai transferir conhecimento?
Então não é uma questão de vai trabalhar, vai ser o orquéco rolê que ou não, vai dedicar as horas que precisa dedicar porque precisa ser feito. Acho que o formato de trabalho vai mudar e automaticamente ele vai atender as gerações mais novas, vai sacudir a geração que tá aí nesse mainstream e vai atender essa geração com um pouco mais de experiência ainda, que também tem muito conhecimento pra transferir pra outras gerações também.
Então vai ter uma reorganização interessante aí. Legal esse ponto de conhecimento. A transferência de conhecimento. Fundamental. Legal, a gente não falou isso bem legal. Você quer, ah, eu posso ter um cargo de CMO, mas eu olho pras empresas que eu atendo, hoje eles não têm condições. Eles não tem um pienel desenhado pra pagar um CMO o ano inteiro.
Mas ele precisa naquele momento de planejamento estratégico, ele precisa pra mentoria de duas, três pessoas do time, ele precisa num conselho. Então por que a gente vai ficar preso nos modelos do passado? Se a necessidade da empresa tá abrindo janela pra fazer uma coisa diferente. Pra mim, aí que vai rolar uma transformação.
Os modelos tem que mudar. Você tá se movimentando como o CMO as a service, então. Exato. Legal. Mas agora, né, eu tô tateando outras empresas, imagino isso como uma porta de entrada e lógico, tem uma curiosidade absurda pra conhecer segmentos, tá tatear outras oportunidades, mas quanto mais eu entro nas empresas, mais eu vejo que elas têm desejos ou um demand e a estrutura de contratação muitas vezes é não.
Vou ter que contratar uma posição, não tem dinheiro, então eu não trago conhecimento, nem por um mês, dois meses, três meses, porque eu não posso pagar o ano inteiro. E não faz o menor sentido, não faz o menor sentido. Não, eu tô tal, né, porque se não esse conhecimento, ele vai morrer. E é isso que eu tô falando. Aonde que saber vale mais do que ter o cargo.
Aonde que você pode transferir parte do seu conhecimento part-time, sem necessariamente ter o cargo e estar na empresa. Só que hoje ainda são poucas as oportunidades que você tem pra fazer isso. Tem que criar o modelo, né? Eu tô me posicionando como executivo as assoves também, mas é uma coisa que precisamos construir no Brasil, né?
Sim. A dor existe. A dor existe, vai sempre existir, e eu acho que em um dos episódios da temporada passada, quando a gente falou de conflito geracional, era principalmente construir as pontes. E a gente sempre vai ter que aprender coexistir com tantas gerações no mercado de trabalho, e é uma grandíssima riqueza. Só que de novo, como a gente vai conseguir construir essa ponte, tem uns pedaços da ponte construídos.
Eu tenho muita esperança no futuro, principalmente com as novas e não novas gerações, na verdade. Porque a gente vai entender que também é insustentável viver de certas formas no mundo. Então esse é o ponto, é aonde ia chegar. Porque de fato, como está e pra onde a gente está indo, isso é muito claro, que chega no final, quer dizer, hoje na tua pausa você olha, você fala assim, pouca coisa eu perdi, quanta coisa aconteceu, e o quanto isso consumiu de você de certa forma também.
E de pessoas, muito mais, você colocou que, poxa, você não conseguiu detectar ou não passou por um burnout. Mas quantas pessoas, quer dizer, que a coisa está uma loucura, né? E a gente vê que de 2023 para 2025 a gente teve um crescimento absurdo, quase 70%, quer dizer, uma loucura. Então, quer dizer, é preciso olhar pro mercado e ver que a forma que está errada.
Ah, por não adianta a gente culpar agora a geração e falar assim, pô, se uma trabalhava desse jeito e essa galera agora não está afim, mas pera aí, não está afim por que? Será que não está tudo errado? E de qualquer forma, senão você não vai ter gente pra poder trabalhar. Daqui 10 anos, meu mercado mudou completamente.
Essa galera, que é a geração nova que está aqui, que vai estar ocupando os cargos ali. E aí? E olhando pelo lado da solução, tá uma puta de uma oportunidade aí, vai ter pícula. Claro, de se posicionar, né? Que legal esse papo de hoje, hein, mesmo. Muito legal. Você gostou? Adorei. Andorei estar com vocês. Venha sempre.
Muito obrigada, gente. Adorei estar aqui. Por favor, maldade. Esse foi mais um episódio do Afirma. Se você gostou da conversa, segue o canal no seu tocador predileto, comenta, compartilha, senta o dedo naquele botão do joinha e fica ligado nos próximos episódios. O Afirma é uma produção do Estudio 1338. A direção geral é do Maurício de Paula e os trabalhos técnicos são da Camila Guiar e do Diego Notar-Me-Cola.
Até semana que vem. Até semana que vem. Até. Tchau.



