E será que a gente precisa dividir o mercado entre especialistas e generalistas? Já foi dando um taberfe na orelha. Mas quando te colocam em uma caixinha, como você sair dela? Hoje todo mundo está falando o quê? Mas tem um gargalo aí do como. E aí a dúvida comum é essa, que eu acho, né? A gente tem que entender quais são as reais necessidades das pessoas no ambiente corporativo.
Temporada 1 · Episódio 09
Generalistas x Especialistas
Apresentado por Marcela Sperduti, Maurício DePaula, Alex Fornazari e Julio Mello. Convidados: Camila Magri Masini. Duração: 33 minutos.

No episódio 9 da aFirma, Marcela Sperduti, Alex Fornazari, Julio Mello e Maurício DePaula recebem Camila Magri Masini para uma conversa sobre carreira, desenvolvimento profissional e as transformações que estão redefinindo o valor das competências no trabalho.
Transcrição completa do episódio6.383 palavras+
E também para preparar os profissionais. É uma loucura. Quando a gente cria uma trilha de desenvolvimento, é para que eles sejam um profissional completo, independente daquela empresa. Então acho que sempre dá tempo de se reinventar. Se você tiver vontade, resiliencia... E eu pessoalmente, tem que estar disposto para aprender.
Tem muita gente que não quer. Não só o generalista, mas o especialista principalmente. Você não pode ficar só dentro de uma especialidade. Porque as especialidades também podem ficar obsoletas. Olá, eu sou Alex Fornazari. Olá, eu sou Marcelo Esperdute. E eu sou Julio Gomes. E esse é o podcast Afirma, uma plataforma de conversas sobre gestão, comportamento e carreira.
Aqui a gente fala sobre o mundo do trabalho. A partir de experiências reais, dilemas que todo mundo vive, pontos de vista diferentes. E hoje a nossa pauta é sobre uma dúvida muito comum nas decisões de carreira. O que o mercado valoriza mais? Profissionais especialistas ou generalistas? Para onde aponta o futuro quando o assunto da construção da nossa própria identidade de carreira?
E aí, para deixar essa conversa ainda mais quente, mais legal, temos uma comunidade especial aqui na bancada hoje. A Camila Magni, Camila executiva de RH, com mais de 20 anos de experiência em temas como liderança, assessment, gestão de talentos e desenvolvimento organizacional. Camila conhece de perto os desafios do mundo corporativo e traz um olhar muito sólido, muito robusto sobre como as empresas podem conectar pessoas, cultura e negócio.
Camila, prazer ter você aqui com a gente. Obrigado por ter aceito a nossa convite. Bem linda. Obrigado pelo convite, é um grande prazer estar aqui com vocês. Então, gente, antes da gente entrar na parte quente do podcast, se vocês têm acompanhado a gente, coloca no sininho aqui, dá um like, manda para todos os coleguinhas, as coleguinhas, para ajudar a gente a trazer sempre pautas mais relevantes e que podem fazer a diferença numa discussão no dia a dia.
E não deixe interagir com a gente, deixe seus comentários aí, mande suas sugestões, porque aqui a pauta é infinita. Bora lá. Bora para a pauta. Antes de começar, acho que vou trazer um pouco do contexto. Antigamente, na minha época, quando eu comecei a minha carreira, era comum a gente privilegiar o conhecimento técnico especializado.
Hoje em dia, com tecnologias e e tudo mais, talvez a gente esteja indo por um caminho mais de generalista. Então, eu queria passar aqui já a primeira pergunta, já para botar a convidada numa zona de desconfortável. O que o mercado precisa mais? De especialista ou de pessoas que são capazes de transitar e de conectar diferentes conhecimentos?
Eu penso muito assim, será que a gente precisa ter que dividir o mercado entre especialistas e generalistas? Já foi dando um taberfe na orelha. Porque não existe uma empresa só de especialistas ou uma empresa só de generalistas. Você tem uma combinação desses perfis e eles vão trazer uma riqueza ali para as companhias.
E aí aqui a gente está falando um âmbito organizacional, porque aí também, quando a gente fala em termos de carreira, aí também são escolhas. Aí acho que também a gente vai entrar mais a fundo. Mas eu não sou tão radical, não acredito que assim, nós vamos só ter generalistas no futuro, só especialistas. Eu acho que vem muitas mudanças por aí com toda essa chegada da inteligência artificial.
E isso vai mexer com as carreiras, com as profissões. Pelo menos eu acredito que é necessário você ter um balanço. Antes de apertar o botãozinho ali de play, eu falei que eu ia fazer essa pergunta para ela. Uma coisa que pega muito para mim, porque em muitos momentos da carreira, inclusive essa transição de trabalhar para a empresa e trabalhar com empresas, virar consultora, às vezes, já quem te chama para a indicação, você já vem numa caixinha que as pessoas falam assim, não você é especialista, no meu caso de digital, da parte de experiência com o cliente.
No mundo da comunicação, eu já pertencia a muitas caixinhas e eu queria explorar mais caixinhas juntas do que essa caixinha que eu fui colocada. Concordo, acho maravilhosa isso que você trouxe, de impossível separar especialista, generalista. Mas quando te coloca uma caixinha, como você sai dela? O consultor de forma geral é visto como especialista.
Eu acho que se alguém já contrata um consultor ou uma consultoria, ele já está partindo desse princípio que você vai trazer uma especialização e um olhar que algumas pessoas não vão ter. E autoridade no tema, né? Autoridade, uma profundidade que vai fazer uma diferença. Você construir um novo legado, uma nova forma de se apresentar, vai demandar também de você poder trabalhar outros temas e você combinar mais habilidades ou outros temas.
Não só o generalista, mas o especialista, principalmente, você não pode ficar só dentro de uma especialidade. Porque as especialidades também podem ficar obsoletas. Se você não se reciclar, não se atualizar, e não pensar sobre aquilo que você está focando, você aquilo também pode ir para outro caminho. Tem até um termo novo que eles chamam de skill stacking, que é de você mesmo combinar você, ou seja, você vai ter que cada vez mais pensar em competências que vão te complementar.
Então, se eu tenho, por exemplo, um analista de dados, talvez ele tenha que estudar comunicação e storytelling, porque não basta ele só saber os dados, mas como ele conta aquela história e ele passa a mensagem da melhor forma. Então, cada vez mais, você vai ter que acumular habilidades diferentes, principalmente em sociais.
Mas assim, se você já vende uma experiência muito especialista, você vai ter que começar a atuar de uma forma mais generalista, em alguns momentos, sair desse lugar também para poder ser vista de uma forma diferente. Legal complementando também essa visão de se tornar um consultor, porque em algum momento você é especialista, mas se precisa ser generalista em outro ponto de abordar diferentes níveis, de abordar diferentes indústrias, diferentes geografias e essa sensibilidade é importante, não só para quem está agora na PJ, mas vocês também aí que estão na PF, porque navegar nesses distintos ambientes, seja você com um cliente, você com seu superior, você com um par, requer um pouco dessas duas grandes habilidades.
E eu concordo num ponto do skill stacking, que é essencial. Nossa geração teve muita dificuldade para acessar o conhecimento. Custava, né, para a gente. E hoje ele está aí, se entra no YouTube, você sai sabendo. Então, hoje todo mundo está falando o quê, mas tem um gargalo aí do como. Mas entre o generalista e o especialista, eu concordo também em gênero e numere grau.
Não tenho certo ou errado, não é uma equação, acho que é bem difícil até desmembrar, mas para efeitos de reflexão e discussão... Legal. Eu acho que tem dois pontos de vista aqui, duas perspectivas. Tem a perspectiva de quem está gerenciando sua própria carreira. E aí a dúvida comum é essa, que eu até coloquei na entrada aqui do episódio.
Que que eu faço, né? Eu vou para um modelo mais generalista, eu vou para um caminho mais especialista. Então tem a perspectiva desse indivíduo, enquanto um indivíduo, profissional. E tem a perspectiva da indústria, que a Chacamila comentou um pouco no começo. Não existe organização que só tem especialista, porque não é uma organização, não funciona.
Você vê muito essa diferença de mercados, aonde tem uma predominância maior de um perfil ou de outro, como é que é essa história? Alguns mercados, como tecnologia, medicina, o setor de saúde também, você acaba tendo perfis que são muito focados, direito também. Um cliente, ele está buscando um diretor, mas que ele tem que ter uma experiência técnica, mas ele tem que conhecer do negócio.
Então isso, o que acontece? Hoje você não tem gestores técnicos que têm uma habilidade de gestão, de você ter uma interlocução, de se atuar como facilitador. Então acho que um grande diferencial realmente do generalista é essa questão de você conseguir transitar dentro da organização, construir pontes, quebrar barreiras, para você implementar, para você fazer mudanças.
Então assim, são habilidades que se combinam. Quando a gente até pega, por exemplo, o último relatório do futuro de trabalho do Fórum Econômico Mundial, você vê que tem algumas competências ali, que elas são independentes de generalista ou especialista. Por exemplo, que competências? Resiliência, aprendizagem contínua, criatividade, adaptabilidade.
E o pensamento crítico, o pensamento analítico, já é hoje requisitada e no futuro vai ser ainda maior. A capacidade analítica está totalmente conectada com essa visão de dados de um mundo novo, mas ao mesmo tempo de como você olha o humano também da criatividade, de você se adaptar... Leitura de cenário. Tem uma leitura de cenário.
Então eu consigo ver que as coisas vão mudar. Gente, e para formar as pessoas que vão trabalhar nesse mercado de trabalho, como é que vai ser? Só pegar esse gancho, que acho que é um gancho legal. Eu, obviamente, para fazer esse episódio, ser rico de dados e tudo mais, a gente faz a nossa pesquisa, né? Óbvio. E aí eu vi a história da carreira em Y.
Eu vi que agora a carreira não é carreira em Y, mas é carreira em T. A perninha do T é a profundidade, então o profissional tem que ter a profundidade... ...de tema e abrangência. Eu achei genial isso. Eu não conhecia esse conceito. Depois que a Marcela comentar o ponto dela, queria trazer um pouco a luz dessa história num contexto de mudança tecnológica muito rápida que a gente estava vivendo, né?
Você abordou um pouco isso. Mas fala o que você está falando. Não, eu acho que além de tudo, tem tudo a ver com o que você estava falando. Como é que as nossas instituições estão prontas para formar as pessoas que vão ser ou generalista ou especialista. Dentro de todas as mudanças que a gente está falando, que você também mencionou da profundidade, quanto é a profundidade, onde que a gente vai encontrar.
Estava pensando até a livro de história para quem tem filho pequeno. Conto as coisas ou mudando com a velocidade e também para preparar os profissionais. É uma loucura. Não consigo imaginar as nossas universidades estão prontas para isso. É só universidade, é curso técnico. Como é que é? Nossa, muita mudança. Sabe que eu estava lendo uma série de artigos que inclusive, além das seis anos atrás, eu desenvolvi um acéssimo de competências para a mediunível de proficiência que as pessoas tinham sobre a moderna de competência que aquela empresa tem.
Então, encontrei um caminho para capturar o que o indivíduo precisa. Então, eu te mede o nível de conhecimento e o quanto que ele confia no conhecimento dele através do questionário situacional. Porque se eu conheço e eu confio, eu estou num quadrante que eu sou consciente e competente. Se eu não conheço e eu confio, eu estou numa zona de perigo, que é o inconsciente e incompetente.
Que ele entrega o mês, só que não tem o conhecimento necessário. E essa cultura, hoje, de partir da necessidade dos indivíduos para a gente desenvolver as pessoas, começou a nascer como uma demanda crítica do que vai levar a gente daqui para frente. Porque antigamente fazer aquelas academias corporativas, tinha um currículo pré-pronto, mas onde a gente precisaria se destacar?
Quais conhecimentos, habilidades e atitudes que a gente tem que moldar para criar aquela representação da empresa versus ao cliente? Sabe, a cultura da empresa X. E a cultura nasce disso também através das pessoas. Com certeza. Então, acho que indo para o seu ponto, a reflexão excelente é, quando a gente coloca o ser humano de novo no meio das discussões, a gente tem que entender quais são as reais e necessidades das pessoas no ambiente corporativo.
E eu, pessoalmente, tem que estar disposto a aprender. Tem muita gente que não quer, e tudo bem. Em algum momento ela vai querer ou precisar. Então, a gente entra numa era que a aprendizagem, esse é o artigo lá de Harvard que me motivou a pensar nisso, que é, as pessoas vão aprender através das outras. Então, por exemplo, você tem aquela pessoa que se destaca na área, dentro da empresa, ela aprende com a gente, consultora, como ela destaca.
E ela tem a inteligência contextual, ou seja, ela vive aquilo, para ela é mais fácil de gibilizar para a realidade da empresa do que se chegar lá nos quatro para dar um treinamento. Primeiro ponto. A educação executiva, ela não vai ser mais a sala de aula, vai ser, além da sala de aula, eu estou falando de experiências de aprendizagem.
E o terceiro ponto, eu preciso realmente estar alinhado com os valores e a cultura da empresa para despertar essa vontade de desenvolver. Então, eu falo muito isso. A cartilha que trouxe a gente até aqui não vai ser nem cartilha que vai levar a gente daqui para frente. Vão ser um conjunto de ações e atitudes da liderança para desenhar esse novo momento.
Mas que bom que o indivíduo, o ser humano, entrou na pauta de novo. E esse tema é polêmico, porque às vezes, quando está fazendo um acesso a uma organização, parece que a responsabilidade também é só da organização de desenvolver as pessoas. E assim, eu sempre falo isso com os executivos que participam de processo. Quando a gente cria uma trilha de desenvolvimento, é para que eles sejam um profissional completo, independente daquela empresa.
Então, assim, o quanto que os modelos de desenvolvimento, os planos de desenvolvimento precisam ser revisados. E os executivos também precisam pensar nesse protagonismo desse desenvolvimento. Porque às vezes fica uma relação ainda muito passiva. Às vezes, a empresa tem que fazer isso. E acho que a aprendizagem contínua ela parte desse princípio que, assim, depende de você também, né?
O tempo inteiro. Então, isso vai impactar muito, seja os especialistas ou os generalistas no desenvolvimento futuro das organizações. E é interessante, né? Eu trabalho em consultoria também. E a gente recebe muitos executivos em transição de carreira. Uma grande leva de executivos de 40 mais, 45 mais, que não sabem o que fazer.
E aí, assim, eu quero ser consultor, o que eu faço? E aí, você fala, essa pessoa não parou para fazer essa reflexão. Para onde ela queria ir? Ele queria ser um especialista, ele queria ser um generalista. Marcella trouxe o ponto da faculdade também. Você não aprende ainda nas universidades como gerenciar, como liderar.
Ou seja, você sai sem saber como administrar uma organização. Então, assim, eu sou psicóloga. Eu sei pronta para atender pacientes na clínica. Mas como que eu gerenci uma clínica? Exato. Como que eu cobro? Então, acho que, assim, tem muita coisa que tem a ver com o sistema educacional que a gente precisa revisar, precisa ser repensado.
E o olhar para a carreira, né? Eu acho que sempre a gente vem dessa visão muito paternalista da organização. E não, a gente tem que ser o protagonista da nossa carreira também. Muito legal esse ponto. Eu não combinei com o convidado, mas eu estava pensando nisso também. Como é que a gente explora essa porta? Porque uma coisa, você está no começo da carreira.
Isso ainda tem algumas cartas e opções de escolha no começo da carreira. Ah, eu vou mais para o generalista, eu vou mais para o especialista. A outra coisa, você está no meio da sua carreira, ou 40 mais, 50 mais. Às vezes, não tem muita opção de escolha, né? Como é que vocês enxergam isso? Como é que você enxerga isso?
Marcelo, você que está hoje se reinventando na sua carreira. Eu ainda não cheguei aos 40, estou quase. Eu posso falar como história pessoal, eu fui estudar economia. Nunca deveria ter feito isso. Conheci pessoas incríveis, valeu apenas pela rede de contatos. Mas assim, sempre foi uma questão muito complexa, não análise de dados, mas pegar os números e fazer com que eles virem dados.
Eu mudei muitas vezes. Daí eu larguei a economia, eu fui fazer fotografia em Paris. E depois de Paris, eu mudei para Roma. E daí eu fui fazer finalmente o que me dá, o ganha pão de todos os dias, comunicação. Daí sim, comecei a lidar melhor com dados, com números. Só que eu vi que tinha toda uma outra perspectiva. Mudei muitas vezes de cidades.
Mudei muitos empregos, mas sempre dentro de comunicação. E agora eu falei assim, acho que eu tenho uma experiência robusta o suficiente para tentar trabalhar do outro lado. Que eu acho que é um outro desafio ainda. De novo, auto gestão, gestão do próprio tempo. Você cê é regal, operações, comunicação, tudo junto. Quando você não tem um time atrás, você não tem a própria empresa te dando formação, você vai atrás da formação.
Então acho que sempre dá tempo de se reinventar. Se você tiver vontade, resilência, há sempre tempo de mudar de rota. Te escutando, me traz uma reflexão, né? Eu pensando ao longo da minha carreira. Eu sempre fui curioso, intelectual. Eu sempre queria saber mais sobre os assuntos. Eu adorava ler livros de negócios, eu adorava ler o White Paper.
Era a incipiência da internet, demorava para baixar um HTML. Falei em PDF ainda, era 40 minutos para você ler um artigo de 10 páginas, tinha imagem, era o começo da internet. Então tinha várias empresas chegando, várias palestras. Eu dava o jeito em todas, cara. Só que tava à frente do meu tempo, mas eu não consegui naquele momento trilhar a minha jornada de aprendizagem de evolução como profissional 31 anos depois.
Cheguei no meu destino, mas eu não fiz uma trilha para o meu destino. É que eu sabia onde eu queria chegar, o como. Eu falei, eu poderia ter feito escolhas melhores, eu poderia ter feito os treinamentos que eu deixei passar. E é legal essa reflexão, porque você que é mais novo, que está no começo da sua carreira, no meio, você tem que pensar na sua carreira no curto, no médio e no longo prazo.
Quando chegar nos 30, onde você quer estar, nos 40, onde você quer estar, nos 50. E você quer ir até os 60, 70, aí vem para a consultoria, brincadeira. Mas às vezes a consultoria te escolhe, né? Às vezes o empreendedorismo te escolhe, mas a reflexão aqui é nós dependemos da corporação para nos desenvolver. E nós precisamos ter o nosso plano de desenvolvimento sem nenhuma dúvida.
Queria trazer um tema para a convidada também, como você tem essa experiência de recrutar talento, de recursos humanos. Uma coisa que sempre me intrigou, essa falta de mobilidade, às vezes entre profissionais que estão, por exemplo, na indústria farmacêutica, viram um ciclo ali, viram uma caixinha fechada. Eu não sei se é impressão minha, mas eu vejo pouca mobilidade.
E eu acho que a mobilidade traz uma riqueza, a gente está falando um pouco disso. Comprar, Alex. Como é que você enxerga isso, Camila? Isso é desafiador justamente por conta da questão. Eu não ia fazer pergunta fácil para você. A questão da especialização é muito importante. Então, assim, eu trabalho com recrutamento e é interessante, por exemplo, você está fazendo uma poção do setor farmacêutica e aí você fala, pega na empresa de equipamentos médicos, é um mercado relacionado, mas não é o mesmo mercado.
Então, assim, de uns 10 anos para cá, tem vivido uma grande movimentação maior, assim, não vou dizer que nossa, é super aberto, mas hoje você já tem uma movimentação, pessoas trazendo até conhecimentos diferentes de outros mercados para serem testados, mas talvez não em funções muito específicas, mas em funções mais generalistas de marketing, de finanças.
E aí você trazer outros olhares para ir construindo também esse arsenal de perfis que não são só daquela área. Mas ainda é um desafio. Eu vejo isso como um grande desafio. Mas é um desafio. Está no contratante, na organização, que não quer mudar isso. Na função mesmo. Porque algumas funções são muito específicas, assim, por exemplo, em farmas você tem aquelas posições onde a pessoa trabalha muito focado no ecossistema específico.
Então, não adianta, você não vai conseguir ter uma curva de aprendizado de onboarding, assim, que vai ser rápida e que vai ajudar. No final, as empresas buscam resultados, então elas vão trazer profissionais que vão entrar e vão fazer as coisas acontecer mais rápido. Mais uma pergunta. Todo mundo concorda que trazer pessoas de indústrias diferentes em alguns cargos traz resoluções de problemas e perspectivas completamente novas, né?
Bem de largo consumo, mesma coisa. Traz sempre o mesmo tipo de perfil. Você acaba tendo sempre o mesmo resultado ou levemente diferente. É, acho que essa mobilidade é engraçada. Você vem em mercados maduros, tive a chance, trabalhado nos Estados Unidos, tinha amigos, que eram vendedores comigo lá. O cara era engenheiro.
O vendedor, o cara tinha estudado inglês. O outro era gerente de marketing, tinha feito filosofia. A universidade nos Estados Unidos tem uma abordagem para a educação que é distinta da nossa. Eu acho que o cara vai fazer administração, são quatro, cinco anos de administração. De um a três anos, é tudo genérico. Os últimos um, dois anos é onde você se especializa.
Então tem várias pessoas que elas transitam no terceiro ano, você não perde, você trocou filosofia por comunicação. Na Europa é igual também, você faz três mais dois. E você pode mudar, pode fazer direito nos últimos dois anos. Aí você tem que fazer um complemento só. Eu acho muito interessante essa abordagem, porque no final das contas, eu sempre olhei para a primeira etapa da nossa jornada profissional, quando você vira a chave para o mundo adulto, que é quando você tem que escolher uma profissão.
Todo mundo se remetei e fizer essa reflexão. E os nossos pais, de todas as maneiras, tentando apoiar a gente, a gente faz um desabitão, a gente faz um desabitão. A gente faz um desabitão. A gente faz um desabitão. E cara, como é que você, com 18 anos de idade, 17, vai escolher o que você quer ser da vida, cara? Gente, calótico.
E hoje tem coisa que não existia. E vai ter um monte de coisa que não existe ainda, e agora vai começar a surgir. Mas a reflexão toda é para mostrar também que o protagonismo de você está à frente do seu desenvolvimento pessoal, acho que tem que ser número um, mas também tem muito de a gente questionar o que está sendo estabelecido.
E aí para fechar a reflexão é, você trazer pessoas de outras indústrias, fazer essa troca. Primeiro, acho que começa dentro da empresa, fazer as pessoas rodarem em cargos menores. Acho que isso é o treino de uma empresa muito legal, que me permitiu antes de eu assumir uma gerência, ficar lá cinco anos rodando tudo o que foi área.
Então tinha uma visão generalista, mas eu conectava as coisas. E isso me permitiu galgal uma carreira legal dentro dessa empresa, porque eu não pensava numa área, num pedaço da solução. Eu pensava em todo mundo que fazia parte. Então olha o que desenvolveu em termos de habilidade. Coisa que não cursa em me ajudar. Mas no final das contas, acho que tem níveis, tem cargos e posições, mas eu acho que sim que a gente tem que começar a quebrar essas barreiras, esses silos.
Porque tem muita coisa que eu vejo em outras indústrias, vejo em outros mercados, que são soluções que a gente não tinha imaginado. São perspectivas que vão ajudar a pensar as coisas de uma maneira distinta. O generalista e o especialista trabalhando juntos. Exato. E tem um ponto que eu acho que é um futuro também que é assim.
Você pode ser generalista ou especialista, mas assim, por que você só pode fazer aquilo? Então eu acho que eu posso ser recurso humanos e em paralelo, eu posso fazer alguma outra coisa que eu gosto também, e onde eu também tenho um talento. E eu acho que no futuro a gente não precisa ser só aquilo. A gente vai poder desenvolver também mais habilidades e poder trabalhar de forma diferente numa esfera maior de atividades.
Então acho que isso também é para mim algo que vai vir aí para o futuro. Tomara. Vou pegar o gancho do futuro. Eu queria botar um pouco de luz nessa história de como a tecnologia, como a IA particularmente está mudando esse contexto todo. E na visão de vocês, a IA hoje, ela valoriza mais o conhecimento técnico ou ela valoriza a pessoa que traduz a técnica, a cultura e o negócio?
Meu Deus, isso é boa. Senhor. Eu vou trazer um primeiro, um fato. A BCG lançou um estudo ano passado que é AI at work. A maioria dos executivos valorizam e sabem que tem um valor que vai ter um impacto no negócio, né? 77% dos funcionários vem em potencial na IA. Mas só 33% sabem usar. Então a gente está naquele momento ainda.
Todo mundo fala, um monte de gente usa, mas não tem uma forma, não tem aplicação, tem alguns que vão se destacar. Então acho que essa é uma nova habilidade que talvez iria ter uma competência na frente que nós vamos ter que desenvolver, né? Mas deixa a pergunta aberta para eu refletir daqui a pouco, eu respondo minha parte.
Tá bom. É complexo, hein? Porque... Eu só sou autobomb aqui. De novo. A gente gosta por causa disso. É o que a gente estava conversando, inclusive, off record também sobre o quem é medíocre vai continuar produzindo coisas medíocres. É você não ter pensamento crítico. É você dar um prompt e você nem revisar. É você entregar mais do mesmo.
Se você já fazia isso, acho que agora AI escancara. A AI escancara. Acho que tem grandes potenciais para muitas coisas boas que a gente não precisa ficar perdendo tempo. Mas acho que pode ajudar a gente a ocupar a nossa cabeça com coisas que a gente pode ajudar mais um mundo como seres humanos. Espero que as pessoas sejam mais generosas umas com as outras para ensinar quem está fazendo as coisas de forma medíocre a dar uma...
Eu ainda acredito nessa. Adorei o ponto da generosidade. Porque as pessoas vão olhar isso como uma vantagem competitiva. Aí eu sei lidar com a ideia. Os 33% que sabem usar AI. Eu não vou ensinar ninguém, né? Não. Esse é outro tipo de conhecimento que tem que ser compartilhado. Não dá para falar de mundo do trabalho sem falar de generosidade, gente.
Pode parecer que eu estou aqui fazendo AI. Não sei o que. Romantizando não é isso. Mas eu acho que todo mundo vive melhor. E ensinar, e escutar, e acompanhar. Então acho que é o mínimo nesse mundo que vem por aí, o futuro. E a fluência digital, acho que ela nem é mais uma competência do futuro. Ela é uma competência...
Do presente. Do presente. E eu acho que assim, todo mundo tem que saber. Você tem que ter criatividade, curiosidade e pensamento crítico para poder colocar AI a seu favor para você poder fazer outras coisas ainda diferentes. Pensar fora da caixa. E não ter que fazer aquelas coisas operacionais, repetitivas. E ainda muita coisa que a gente nem sabe que está por vir.
Mas já é de hoje. A gente já valia isso hoje, por exemplo, nos acéssemos. A gente já valia o nível de aprendizagem de um executivo. A aprendizagem contínua e fluência digital. E a aprendizagem contínua, ela diz muito sobre a curva de crescimento e adaptação de qualquer pessoa. Porque se ela não consegue aprender desde o autoconhecimento da auto-percepção.
Porque hoje assim, não é só você aprender coisas técnicas. Mas você aprender sobre você, sobre como você impacta as relações. Então, cada vez mais também você tem... Dependente do se você é especialista ou generalista, você tem que saber ter uma inteligência emocional para lidar com as pessoas. E você não impactar o ambiente e conseguir se modular.
Acho que isso é o grande diferencial. É você também dominar essa inteligência emocional. E continuar aprendendo constantemente. Eu gostei da questão da fluência digital. Porque eu lembro ainda, acho que uma das lembranças que eu tenho do meu pai trabalhando em casa, After Hours, ele estava montando um treinamento fazendo uma transparência.
Pessoal, lembrou esses procuros? Transparência, canetinhas coloridas, réguas, milhares e TANGRAN. TANGRAN é como se fosse um quebra-cabeça japonês que ele usava nas dinâmicas. Então naquela época, como os maias faziam antigamente, você não tinha o digital, era totalmente analógico. E eu pude viver isso. E hoje me tornei um treinador, acho que muito influenciado por essas lembranças, essa exposição, quando eu peguei em crianças, seis, sete anos.
E eu falei, cara, o que ele faz com essas peças? Mas o que está escrito aqui? Ele não tinha um computador. A geração, logo depois, já tinha um computador. Um PC 2.8.6, 3.8.6, 4.6, XT. E o PC foi destravando isso, veio a internet. E tudo isso veio de uma perspectiva e de um sonho de que é libertar o ser humano para fazer mais atividades que fossem mais pessoal, família.
E o que eu vejo é que cada vez mais, com a devesa da tecnologia, te acaba produzindo muito mais e gastando mais o tempo para responder algumas coisas. Para isso mudar, primeiro, a gente tem que entender que a inteligência artificial, ela vem, eu gosto de usar o termo do segundo cérebro, que é auxiliar a você. Se tivesse, na época do meu pai, eu tinha o TANGRAN.
Depois da nossa época, eu tinha o computador. E agora que você tem a inteligência artificial, é como você vai usar isso para livrar o seu tempo, para colocar em coisas produtivas. Seja do trabalho ou seja pessoal, mas pega a palavra produtiva. Porque se não tiver o tempo para você, você não tem a saúde do cérebro. Se não tiver o resultado, você não tem a saúde dentro da empresa, vamos ficar te cobrando lá.
Tem essa breve reflexão de que a IA vai levar respostas médias. Se você quiser ser medíocre, medíocre é de não se diferenciar, de fazer a mesma coisa da mesma forma. Vai ficar todo mundo aqui na média. E se você tem uma ferramenta fenomenal e você tem uma capacidade que é só sua como humano, que é a capacidade analítica, para você interpretar essas coisas e aplicar para diferentes soluções.
Por isso que lá no Future of o relatório com o Géu. Eu acho muito interessante, porque as top 10 estão muito relacionadas com essa questão do humano. E aí é isso que nós vamos ter que treinar bastante daqui para frente também, pessoal. A gente estava falando do off record também, no almoço da história da criatividade, a importância da criatividade nesse cenário.
Vocês vão falar de IA que também são três programas, só para falar de IA, mas é importante trazer isso para a mesa também. Cada vez mais a criatividade, a originalidade, são temas essenciais para você profissional, independente do estágio de carreira que você está. E é o que o Julinho falou, usando o IA como uma ferramenta que aumenta sua produtividade.
Mas que no final do dia, pela própria lógica da ferramenta, gera mais mediocridade, porque ela recicla o conhecimento atual. Vamos para o terceiro bloco, já estou com o ponto aqui, o diretor já está gritando aqui no meu ponto, porque eu já estou misturando o tempo. A gente tem um terceiro bloco que chama Opinião que pode me cancelar.
Porque essa conversa está muito formal, está muito fácil, mas a gente quer botar um pouco de fogueira na mesa. Foi a ideia da Marcela, ela falou, vamos fazer um bloco de opinião que pode me cancelar. Eu adorei a ideia, é óbvio. E aí eu queria trazer essa pauta para a mesa. Então, qual é a opinião que vocês têm que pode cancelar vocês aí, que vai contra o discurso dominante hoje?
Quer começar, Marcela? Você está roindo a unha. Eu posso começar, porque eu tenho vários exemplos, eu sou consultor e treinador, estão vendo bastante treinamento. Muitas vezes eu tenho que mostrar para o diretor comercial, o diretor de RH, que a percepção que eles têm de uma necessidade de treinamento, ela está errada.
Então, se você não souber como colocar isso, você fala, meu, você não está na minha empresa, você não está no meu dia a dia, como é que você vem me questionar? Por algumas vezes eu me coloquei em situações difíceis, da forma como eu me importei de colocar que, cara, você tem certeza que eu caminho por aí? Você já ouviu o que o seu cliente precisa?
No caso, vamos pegar a empresa de bem de consumo. Você já ouviu o Varejista para ver o que ele precisa? Internamente, você já falou com todos os take-holders para ver o que que a gente tem. O que te faz bem e o que não. E meu papel é de fazer esse questionamento, só que, cara, não é todo mundo que está preparado e a forma conta muito.
Então, o que já me cancelou, já perdi alguns projetos, foi por ter questionado e endagado a liderança dessas empresas de... Que, cara, esse talvez não seja o caminho mais produtivo no interno de treinamento e desenvolvimento. E tudo bem, porque depois nos outros, essa honestidade, essa abertura ajudou a gerar reflexões e que abriram outras portas e outras perspectivas também.
Jolinho foi polido no comentário dele, mas tudo bem. Eu acho que eu tenho uma polêmica aí, né, que... Na verdade, não muito polêmica, mas com certeza pode me cancelar. Estou cansada de escutar que algumas funções da empresa, alguns departamentos de empresa, não precisam de criatividade como skills. Ai, mas o que ele vai saber?
Ou ela vai saber de criatividade estar nas finanças? Para, né? Vamos parar que criatividade é uma coisa só de comunicação e só de marketing. Tem contabilidade criativa também, né? Mas a gente não gosta muito da contabilidade criativa. Mas, gente, achar soluções de forma criativa e tem gente que trata criatividade, que é uma coisa generalista, mas pode ser especializada para cada departamento, né?
Trata isso como se fosse... Ai, está falando que eu sou criativo, quer dizer que eu sou menos de exatas. Não é uma crítica. Criatividade é uma coisa incrível, né? Pronto. Falei. Tirei isso do meu coração. Camila, não quero ouvir uma opinião polêmica sua. É, eu... Pô, indo na linha, no pouco no que ele comentou, né? Eu acho que, assim, o cliente lhe contrata você por você ser especializado naquilo, né?
Ele está confiando que eu vou saber dar esse direcionamento. E, assim, às vezes você está mostrando todo cenário, todo diagnóstico, e o cliente não flexibiliza. Absolutamente nada. É raro, mas acontece muito, né? É raro, mas acontece sempre. Nossa, sempre, né? Muito, sim. E, assim, como que você vai realmente ajudar, né?
Assim, quando não existe uma flexibilidade, né? Esse olhar. E é interessante, porque muita empresa ainda contrata por aspectos técnicos. E eles demitem por competências comportamentais. Ai, ai, ai. Então, assim, às vezes você não tem profissionais ainda prontos, você tem muita coisa nova chegando, hoje a gente tem cadeiras novas que você...
A pessoa tem um ano, dois anos de experiência, então você não tem isso consolidado no mercado e o cliente, ele não quer flexibilizar nada. Eu também fico cansada disso, embora esteja o meu trabalho. Mas, assim, o meu trabalho é ter que falar a verdade pro cliente. Na cara do cliente, né? Tem que ser honesta ali, né? Então, eu vou ser consultiva se eu conseguir fazer isso.
Você, às vezes, é cancelada, porque você foi muito verdadeira. Acertiva. É o... Isso acontece. Aí eu concordo plenamente, porque... Às vezes essa inflexibilidade do tipo, ou a sâmpia de que eu sei tudo, eu sei qual é o problema, eu sei qual é a solução, por isso que eu te chamei. Parece que já o caminho está dado, muitas vezes não, né?
Pois é. É duro. E você, Alé? Que que sei? Estou de acordo com vocês, assim. Nessa pegada, nessa via consultiva também, às vezes tem que falar a verdade pro cliente, é um incômodo e a gente foge do conflito. Mas é sempre difícil, né? Porque você recebe um briefing totalmente torto. E como é que você fala, conta a verdade, né?
É um assunto particulário, esse aí. Dá pra falar um episódio só disso também. Cara, eu gostei demais dessa conversa. Essa conversa foi muito boa. Pena que eu tenho por favor. Dá pra gravar de novo, diretor, né? Dá pra gravar de novo. Fazer parte B, né? Fazer parte B. Lado do disco já foi. Ainda mais uma vez. Muito obrigado pelo por ter aceito no nosso conguito.
Muito legal, galera. Foi demais. Muito obrigada. Obrigado, gente. A Brilhantô aqui é a nossa bancada, a nossa mesa. Esse foi mais um episódio da firma. Se você gostou da conversa, segue o canal aí no seu tocador, comenta, compartilhe, aperta aquele botão de joinha e fica ligado porque nos próximos episódios tem bastante coisa legal.
A gente se vê no próximo episódio da firma. E não deixe de deixar seus comentários interagirem com a gente pra gente desenvolver novas pautas ou até mandem questionamentos aqui pra gente continuar essa conversa. Ela não acaba aqui. O Afirma é uma produção do Estúdio 338. A direção geral é do Maurício de Paula. Nos trabalhos técnicos são do Diego Natalicola.
Uma ótima semana e até mais.



