Você começou como CLT ou como CNPJ? Eu comecei como CLT, mas eu vendo uma família que sempre foi empreendedora. Por que você foi para o mundo corporativo com essa escola de empreendedorismo que você tinha em casa? Porque essa escola é dura. Quero ser o global de uma grande multinacional. Começa a gente ficar acostumado com o quentinho do CLT, do salário pingando todo mês.
Temporada 1 · Episódio 02
Empreendedorismo vs. CLT
Apresentado por Marcela Sperduti, Maurício DePaula, Alex Fornazari e Julio Mello. Convidados: Fernando Rheingantz. Duração: 55 minutos.

Marcela, Alex e Julio discutem um dos dilemas mais presentes no mundo do trabalho hoje: Vale a pena sair do CLT para empreender? Fernando Rheingantz como convidado, que já transitou entre CLT e CNPJ mais de uma vez, contribuindo com uma visão baseada em experiência real.
Transcrição completa do episódio11.010 palavras+
Ou estão oscilando todo mês, parece uma montanha-russa. Eu fui criar as lojas, o Branded Retail da Nokia, a própria loja, Franquia, Kiosk, Digiton. Os amigos não pagam, os amigos não compram. Eu falei, cara, eu sou foda. Toquei muito em Brezagranja. Acho que foi parte também. A resposta mais recorrente é eu quero ser influencer ou TikToker.
E aí, existe uma questão de realidade, quantos desses vão conseguir? Tem que ter culeão de verdade, sabe? Olá, eu sou Alex Fornazari, consultor e executivo. Olá, eu sou Marcelo Esperdute, consultor e comunicadora. E eu sou Júlio Gomes, consultor, treinador e facilitador. E esse é o AFIRMA, um bodycat de conversa sobre gestão, comportamento e carreira.
Aqui a gente fala sobre o mundo do trabalho a partir de experiências reais, pontos de vista diferentes e dilemas que todo mundo vive ao longo da carreira. E hoje, hoje vai ser legal, hein? Deixa eu falar um tema, um dilema que qualquer pessoa em qualquer momento de carreira pode viver. O que é melhor? Abrir um CNPJ, abrir sua própria empresa, controlar sua agenda, ser o seu chefe.
Ou ficar lá no quentinho do CLT trabalhando para os outros. O que vocês acham? Interessante. Já tem a resposta aqui na mesa. Todo mundo aqui na bancada já passou por esse tipo de transição de carreira, né? Todo mundo trabalhou em grandes empresas. Hoje somos donos do nosso próprio destino, não é? Exato. Ou não, ou não.
Ou não, não. Essa é a grande discussão. O destino é dono da gente, não sei lá. Ou ninguém é dono de ninguém. E para essa discussão ser boa, a gente traz um convidado hoje, um convidado que já transitou entre os dois modelos, algumas vezes ele vai contar para a gente aqui, pelo menos umas duas vezes pelo que ele já me falou.
O convidado para o debate de hoje é o Fernando Huygens. Fernando é um empreendedor, investidor, executivo cilévio. Tem uma trajetória aí construída entre estratégia e execução em empresas como Nokia, Vivo, Raia, Drogazil e Unidas. Liderou unidades de negócios, operações de varejo, consumo, canais Bitubi e Bituci. E desenvolveu mercados em várias regiões do Brasil.
Além disso, sou um amigo, querido, com o que tive prazer de trabalhar já e que me ensinou muita coisa em vendas. Então, cara, é um super prazer ter você aqui com a gente. Bem-vindo. Obrigado por ter sinto o convite. Obrigado, Alex, Julio, Marcela. Prazer estar com vocês também. E antes de começar, pessoal, obviamente, é de gostaria de convidá-los a fazer parte, ajudar a gente a disseminar não só as mensagens, mas as reflexões, para te criar um ecossistema para continuar essas discussões aqui no âmbito, obviamente, ampliado.
Então, deixe seu comentário, ative o sininho, dê o seu like e compartilhe, pessoal. Isso vai ser uma coisa muito mais importante do que o algoritmo em si, é fazer com que essa mensagem reverberie por aí. Vamos pra pauta? Bora lá. Tá pronto? Fogo no parquinho. Fogo no parquinho? Celite, OPJ. Qual que é o modelo que realmente faz mais sentido hoje para qualquer profissional?
Será que tem um momento ideal na carreira para a gente transitar entre o Celite e o Peugeot? Volta do Peugeot para o Celite. O que vocês acham, gente? Vocês que todo mundo que tem o lugar de fala que já viviam na pele isso. Vamos botar o convidado na fureira, já? Vamos, vamos, vamos. Eu acho que não tem uma resposta única, né?
E não depende nem só de momento de vida. Acho que é uma combinação de fatores e até mesmo esses fatores, eles são variáveis para cada pessoa. O que é certo é aquilo que acho que a pessoa acredita que naquele momento faz mais sentido para sua vida, tanto naquele momento quanto no futuro. E esse futuro pode ser um futuro de curto prazo, de médio prazo ou de longo prazo.
Você começou como o Celite ou como o CNPJ? Eu comecei como o Celite, mas eu vendo uma família que sempre foi empreendedora. Então a minha família é muito tempo atrás. Eu tô falando de avós, bisavós, sempre teve negócios. Legal. Então meu pai era servidor público, a minha mãe era empresária, teve loja de brinquedo, loja de roupa, restaurante, boate, bache.
Boate. Muitas indústrias diferentes. E a gente cresceu no meio diversificado. E eu cresci no meio disso, meu pai não deu o momento de pedir o demissão lá da faculdade e ele investiu na época no restaurante da minha mãe. Legal. Então a gente cresceu com a história do meu vô, que era um empresário grande, ele tinha uma indústria de conserva bem grande, não deu o momento que ele quebrou.
Meu pai é servidor público, então a gente viveu no início bem, mas aí a mãe começou a abrir os negócios dela e a nossa vida passou a mudar de acordo com como estava o negócio da mãe. Bom, bons anos a gente viajava. Patriarca que liderou todo mundo. Muito legal também essa discussão e esse ponto de vista. Nossa, empreendedora e você escutando muito dos papos de ser empreendedora, empreendedora isso ajuda bastante.
Esse tema era parte do nosso almoço, na família. Então a gente discutia isso. Eu como criança, com meu irmão mais velho que hoje é meu sócio, e meu irmão mais novo que é um servidor público porque ele não gostou dessa história. Saiu correndo. Ele foi para o mundo mais certinho, mas o nosso almoço em família, ele tinha uma discussão sobre o negócio, como é que foi ontem, o que vai ser feito hoje, tem festa no final de semana.
Vamos abrir a boate, vamos abrir uma casa na praia, ligar da gastronomia que a minha mãe acabava tendo. Mas eu iniciei a minha carreira, eu saí disso, eu vivi isso até meus 18, 19 anos, e aí fui para fora do Brasil estudar, jogar tênis e estudar. E aí quando eu voltei eu fui para o mundo corporativo. Como que você foi para o mundo corporativo, conheça a escola de empreendedorismo que você tinha em casa?
Porque essa escola é dura. A primeira aprendizada, a escola é dura. Eu vim voltar num tempo, quando pega lá o meu vôo, meu vôo era um empresário grande, e a família dele antes também tinha tido empresas grandes, mas eu não vivi isso muito, eu vi de longe, eu vi ele quebrar. Eu vi o vôo deixar de ser um cara muito rico até num dado momento e morrer, é quase pobre.
E a mãe é uma empresária que foi feita pela vida, vendo uma família também pobre, o meu vôo, pai dela, que não era o que era empresário. O vôo empresário era o pai do meu pai. O pai da minha mãe trabalhava no Banco do Brasil e faleceu cedo, minha mãe tinha 11, 12 anos mais ou menos, e toda a família da minha mãe acabou tendo que trabalhar.
Inclusive minha mãe, então ela começou a trabalhar muito cedo e disso ela virou empresária, apesar de ter estudado e feito engenharia. Então não foi uma empresária formada, ela não teve uma formação, ela virou. E aí é uma vida muito complexa, muito legal por um lado, mas sim, era uma gestão feita através da vida. E eu vi isso até meus 18, 19 anos e fui pra fora do Brasil estudar e eu estudei negócios, isso aí comércio exterior.
E aí na faculdade tu vê o mundo, as coisas podem ser mais arrumadinhas. Menos tapa na cara por algumas coisas, né, outros tapas na cara, é diferente. E constrói, acabou, como eu fui para os Estados Unidos, os Estados Unidos tem um modelo corporativo muito desenvolvido, né, então quando eu estudei e quando eu voltei para o Brasil, a minha ambição era eu quero ser esse ou global de uma grande multinacional.
Essa era o meu plano de vida, isso é o que eu quero para a minha vida. Não vou ter as doideiras lá do que a minha família viveu, não sabemos se tem dinheiro para comprar o almoço e não tendo que depender do ano bom para a gente poder sair de férias, né, e vou ser esse ou... dar de algum negócio muito grande na vida. Então eu entrei nesse mundo e fui trabalhar em empresas grandes.
Sabe que a minha história do CLT para a PJ foi um pouquinho distinto da jornada que o Fernando contou, porque eu não aceitei no primeiro momento. Tava em transição de carreira, a minha última posição era uma posição de direção executiva. Naquela época, acho que hoje ainda deve existir aquele negócio de transição de carreira como é que é o... aquelas consultorias que ajudam para a Outplace.
Outplace, né? Existe. E para mim essa experiência de desculpa, turma da Outplace, foi... Não foi chamada. Opinia é que podem me cancelar já. Não foi chamada. De vez em vez de me jogar para cima, meu, foi uma rasteira e caí de boca no chão, sabe? Tipo, eu voltava para casa e falei, não é possível. Sei brincadeira, cara, eu voltava tipo...
Desmotivado. Desmotivado, triste, sabe? Sem perspectiva, porque o processo em si é meio estranho. Naquela época, hein, pessoal? Mas bom, acelerando a história toda, a última, eu tinha, sei lá, quantas sessões eram bastante, na terceira, falei, cara, a primeira, a segunda foram essa parte, depois eu retomei a rédea, né?
Fui fazer a última, foi um coaching, um mentor em hoje. E o cara falou, mas você já considerou consultoria? E meu pai foi consultor por muito tempo. Estou aqui hoje muito reflexo e da vivência que eu tive com ele. E eu falei, cara, consultoria, cara, tá louco, bicho? Eu sou jovem, tenho chão pra caramba, tenho uma puta experiência, já fui espatriando, sabe, quando você até acha que você é mais do que você...
Você tava pegado ainda no mundo corporativo. Tava total, eu falei, cara, tem muito chão pra queimar aqui. E esse foi uma barta barreira, cara, porque eu poderia tomar da decisão naquela época, estaria bem melhor hoje. Porque gente... Exato. Conta muita experiência prática, né, de você ser empreendedor. Então, posterguei.
Quando você fez essa virada de chave, Julinho, de mundo corporativo, executivo pra consultora e empreendedor? Foi pro volta ali de 2014, 2015, caramba. Porque daí eu falei, vou testar, né, a consultoria tinha uma amiga que tinha uma consultoria de iniciação por categoria, ela precisava de gente, falei, cara, tô em transição, vou te ajudar.
Fiquei com ela seis meses, falei, cara, consigo tocar isso aqui, né? Eu sou bom com o vendedor, eu tenho um network pra... Não tava ativando o network. Então, final da história, esse test drive foi a gota d'água real pra me libertar. E nesse momento, eu virei a chave automaticamente e nem lembrava desse pré-conceito que eu tinha com a vida de empreendedor.
Não tive a escola, mas aí eu vi que eu tinha capacidade e fui atrás. Então, fui aprendendo, fazendo, né? E depois, eu quis começar a investir um pouco em capacidades técnicas, cursos. E o principal curso que eu fiz nessa jornada pra fechar a minha história toda, foi uma certificação de Master Training da Association for Talent Developer nos Estados Unidos.
Nesse ponto, daí eu realmente mudei a chave, porque eu tinha a abordagem consultiva e técnica que eu precisava pra vendedor e entregar. Porque quando você vem pro lado corporativo, você não tem uma super equipe, né? Você acaba no começo tendo que incorporar várias funções. E você não tá preparado pra tudo isso. Então, a minha jornada foi...
Foi meu... Não o TurboLenta, né? Mas ela não foi a típica, mas só pegando o ponto do Fernando, que eu acho que é importante pra todos vocês que estão nos ouvindo. Você tem que planejar sua carreira, né? Você tem que colocar isso como um plano B lá na frente, sabe? Então, pra tudo que você almeja, pense em um plano B. Planiche.
Veja sua carreira no curto, no médio e no longo prazo. Veja você com 50 anos. Todo mundo dá as 50 anos e eu quero me aposentar. Essa é a mais tradicional. Eu quero que me aposente. Cara, tem que começar hoje, né? É, eu não quero, eu acho que eu... É, não ter esses cores. Meu passou a ter... Tenho 13 anos pela frente aí.
Então, usa o nosso ex-iplo, né? Eu tenho mais um ano, cara, pra me aposentar. É só fazer então. É só fazer isso, né? Você que precisava do projeto aí de 15 milhões de dólares, me chame. Por favor, chama a gente. Eu tive que estar tudo aqui embaixo, os contatos. Eu tive uma tragitória um pouco diferente, porque eu fui...
A circunstância me jogou pra um mundo do empreendedor, né? Inclusive, esse cara aqui foi o responsável na minha primeira virada de chave. No começo da carreira também idealizava a carreira como executivo, né? A gente, quando é jovem, sempre idealiza as coisas, né? Você tá investindo na carreira, né? Minha família também, enfim, investiu no meu...
Na minha educação, não tinha muitas posse. E aí, eu falei, bom, preciso me jogar alguma coisa e... E virar adulto, né? E aí, eu me joguei no mundo corporativo. E também, quando você entra no mundo corporativo, o CLT, executivo, você vai idealizando as escadas. Eu quero chegar num cargo de liderança. Tem muito hype, ou tinha muito hype.
Tem muito hype. E aí, eu tomei uma rasteira da vida. Quem não toma rasteiras da vida, né? Eu tomei uma rasteira da vida e de repente me vi desempregado. Falei, o que eu vou fazer agora? E aí? E eu já era amigo desse cara aqui e ele me convidou pra um mundo de constorio. Olha o risco que eu corri, gente. Olha o risco que a gente correu, é, que ele correu no caso.
Que sucesso. E foi muito legal, porque eu aprendi muita coisa e teve uma virada de chave importante na cabeça, assim, né? Porque eu brinquei no começo, a gente fica acostumado com o quentinho do CLT, do salário pingando todo mês. Eu adorei quando você falou do quentinho, porque é colhidor, né? É bom, é bom. É um abracinho.
Um abracinho todo mês. Mas quando você vê o fluxo de caixa da sua curta entrando no negativo. Ou então oscilando todo mês, parece uma montanha russa. É exato. Uma loucura. O Fernando até brincava comigo, a gente trabalhou junto, que ele falava se o bom vendedor é o vendedor endividado. Se você não se descreditou, acerte.
Se ele me mente nisso. E aí eu fui entender isso depois. Mas aí eu voltei pra vida corporativa e agora voltei de novo pra vida empreendedora. Cada um tem um momento, uma trajetória, e a Marcella tá num momento pouco diferente porque ela tá fazendo essa transição agora. Conta um pouco, mano. Então, depois de 16 anos de Itália, um ano de França, e muitas coisas também da minha vida pessoal não estavam mais resuando a questão de ter que ficar muito tempo em um continente só.
Eu falei assim, cara, eu tava com time internacional e tudo mais. Até usava as seis línguas que eu falo. Usava pedaços do meu cérebro que eu gostava, que eu gosto bastante. Mas eu falei, cara, não tá fazendo mais tanto sentido. E eu já tinha guardado uma certa quantidade de dinheiro. Tinha, já, uma das coisas que eu mais gosto, como vocês sabem, é conversar com pessoas, conectar pessoas.
Então, uma rede muito legal de gente pelo mundo. E eu falei assim, bom, vou mudar da Itália. Muitas coisas do lado pessoal aconteceram também. Então, foi uma cadeia de mudanças que a chave virou em todos os sentidos. E eu falei assim, cara, se eu não me jogar agora, eu não vou me jogar tão cedo. Porque tinham outras possibilidades na mesa, no mundo corporativo.
CLT, lá do lado da Europa, eu falei, vou tentar. E comecei. E nisso vieram instantaneamente dois clientes por indicação. Eu abri a empresa aqui no Brasil, né? A MSK, eu abri aqui. Voltando esse movimento de volta pro Brasil. E me entendendo como uma brasileira gringa no mercado brasileiro nisso. Tentando entender também, eu acho que é a minha narrativa.
Eu ainda estou construindo minha narrativa como consultora. Que é muito diferente da Marçalha Executiva. Muito diferente. Então, eu ainda estou tentando entender. Porque faz seis meses só. Parece que faz três anos, só seis meses. Tem dado muito certo, mas eu estou com a ajuda de todos vocês. Muitas pessoas que estiveram aqui.
Tudo que eu estou escutando também nesse podcast. Pensando de qual vai ser o meu próximo passo. Tentar também olhar daqui a um ano onde eu quero estar. Como é que eu vou prospectar cliente? Que eu não sei, não é uma força minha. Agora eu vou falar com todos os meus amigos bons de vendas. Bons vendedores e vendedoras. Como eu prospecto.
Como eu faço. E é isso. Então, vivendo e aprendendo, chorando no banheiro, só que de casa. Chorando no banheiro de casa agora. A banheira da empresa, banheiro de casa. Muitas alegrias. Mas dá um medinho, hein? Dá um medinho. Dá um medinho. Dá um medinho. Dá um medinho. Eu tenho uma pergunta nesse ponto. Quando vocês viraram a chave, vocês sentiam que vocês estavam preparados?
Eu não. A minha história pro empreendedor do Rio foi um pouquinho diferente de vocês. Quando eu iniciei minha carreira, fui trabalhar em uma varejista de moda na CIA. Um pouco depois, alguns anos depois, seis anos depois, eu recebi uma oferta pra ir pra NOC. Fui com um cargo legal de diretor, muito novo, com 28 anos. Apesar da CIA também ser uma empresa muito grande, multinacional, eu tinha um tipo de convívio.
Eu não convivi com a intensidade que na NOC convivi com executivos e pessoas que eram aquilo que eu imaginava que eu queria ser. Quando eu crescesse, eu tinha um cargo alto, uma caneta importante, um trabalho legal, uma empresa sensacional. A NOC foi uma empresa incrível pra eu trabalhar, acho que o lugar mais legal que eu trabalhei na minha vida.
Mas eu comecei a ver a vida de pessoas muito próximas a mim, que tinham aqueles cargos que na minha fuga falei que eu queria ser isso na minha vida. Então, a diretora Latta de Retail, muito amiga minha até hoje, o cara que era o VP Global em Londres, tocava toda a área que eu cuidava, e até mesmo o presidente do Brasil, eram pessoas que eu convia com muita intensidade.
E eu comecei a ver como era a dinâmica do trabalho deles, como era a agenda, como era a vida, e eu falei, opa, talvez não seja isso que eu quero pra mim. E não tem nenhum demérito assim. Eu acho que é um mundo que pra mim tem que fazer um sentido. E pessoas muito felizes, muito bem sucedidas, mas eu percebi que foi, talvez o tempo que mais me incomodava, que eles não eram donos da agenda.
Eles estavam lá muitas vezes fazendo aquilo que não, que eles gostariam de estar fazendo. E você percebeu isso bem jovem, né? Porque teve isso 28, é super jovem pra ter essa percepção. E teve aí um segundo fator, né? O meu trabalho na Nokia foi de desenvolver um canal novo. Eu fui criar as lojas, ou branded retail da Nokia, a loja própria, Franquia, Kiosk, Digital.
E aí, quando a gente começou a crescer, a Nokia tinha um conceito do que ela queria no franqueado. Era um 12 países trabalhando em paralelo nisso, né? E a Nokia queria do franqueado dela, e eu fiquei 6 meses discutindo com o gringo lá de Londres, que era o VP da porra toda, sobre isso, porque ele queria um perfil de franqueado que existe nos Estados Unidos, que existe...
Não era Brasil. Né, Europa, mas não existe no Brasil. E aí eu consegui convencer ele depois de 6 meses. E a gente foi partir pra encontrar esse franqueado. E aí, quando eu comecei a procurar os caras, eu não achava os caras que meu tinha desenhado, inclusive. Num dado momento, o tempo passou, a gente encontrou alguns. E a minha equipe, junto comigo, junto com toda a empresa, a gente ajudou esses caras a se desenvolverem e crescer.
E eu falei, pô, eu tô aqui ajudando essas empresas a serem mais estruturadas. Por que que eu não sou essa empresa? Por que que eu não faço isso e eu não passo a ser, ao invés de ser um executivo um... E eu comecei a falar isso. E eu falava, inclusive, pra esse meu chefe. Verbalizar. E aí, passou o tempo. Eu saí da Nokia.
Né, e num momento que a Nokia começou a ter a história com o Microsoft, eu acabei saindo um pouco antes da aquisição. Alguns meses depois da Nokia, deu saída da Nokia, a Microsoft comprou a Nokia. E aí, curiosamente, quem me liga? É o cara que era o VP da porra toda. É o gringo Lorde Inglês. Lorde. Meu amigão. Rátamente me ligou, falou, uma vez que tu me contou uma história que tu tinha, vontade de montar uma empresa pra fazer aquilo que empresas como a Nokia precisam que elevar essas empresas no mercado brasileiro.
Ele falou isso é verdade. E eu tava empregado, bem empregado. Eu era superintendente do Shopping do Shopping do Dorado, aqui em São Paulo. Ganhava muito bem. Ganhava mais que na Nokia, inclusive. Mas não era dono da agenda. Mas não era dono da agenda. Mas não era dono da agenda. Mas não era dono da agenda. Mas não era dono da agenda.
Mas não era dono da agenda. E aí ele me ligou e eu falou assim, tipo, aquela história é verdade. Eu falei, é, por que tu nunca fez? Eu falei, me faltaram três coisas. Me faltou dinheiro, me faltou coragem. E me faltou acesso às marcas que podem querer entrar no Brasil. Então eu tô aqui pra te dar duas dessas três. Que já é bastante.
Eu vou te ajudar com a coragem, porque dois são mais corajosos. E eu vou te ajudar com acesso às marcas. Que é fundamental. Porque eu falei, eu tenho. E eu aqui na Inglaterra tenho acesso a esses caras todos, que tu não tem. E tu tem acesso ao Brasil que eu não tenho. O dinheiro a gente vai atrás. E aí eu fui para Londres.
Tirei másférias, fui para Londres. E passei um tempo com ele. A gente foi montando o que seria o negócio. Voltei para o Brasil. Aí eu tive uma leve mudança. E eu segui na mesma empresa. Mas saí do outro lado, fui tocar um outro shopping lá no grupo que eu trabalhava. Falei para ele, falei, ó, eu vou sair. Eu vou montar uma empresa assim, assim, assim.
E esses caras foram sensacionais. Sócios e o seu da empresa. E aí, carai, Van Roo, um grupo de shopping grande. Esse cara falou, não. Só nos ajuda nesse projeto até o fim. E nos ajudando aqui, tu tá tranquilo. E inclusive, durante um período, toca o teu projeto em paralelo aqui. A gente te disponibiliza a estrutura para apoiar.
Então eu consegui fazer isso. E aí eu abandonei depois de um ano, onde pouco eu saia do mundo corporativo. Abrimos a primeira empresa que eu abri. Que acerto, eu jutei junto com o Gringo. Colocamos mais dois sócios juntos. E aí eu partimo para conquistar o mundo. Só que não deu certo. Na primeira largada, a gente achou que ia dar muito certo.
Mas a gente já adaptou. Porque até as era. Vamos pegar empresas europeias que querem entrar no Brasil. E procuram um master franqueado, um licenciado, um representante, um parceiro. E isso seria exatamente aquele momento que o Brasil saiu na capa da Times. Como o Brasil takes off. Então eu lembro de eu montar junto com ele as apreentações.
Os dois executivos na gente montando lá. Toda tese para captar investidores. E logo depois, em muito pouco tempo, o cenário mudou completamente. O Brasil afundou economicamente, politicamente. E aí a gente fevou porque a capa foi a passar. E aí voltou. Todo nosso plano de negócios era baseado numa tese, o dólar disparou, ficou inviável.
O que a gente faz? A gente adaptou. A gente juntou as macro, né? Ajustou a empresa e partiu para um outro caminho. Nesse outro caminho, eu errei rama algumas vezes, mas a gente acertou. Numa. Pegamos uma marca, que foi a Motorola. E a gente teve a perspicácia de encontrar a Motorola na hora certa. E aí desenvolvemos uma Motorola, crescemos pra caramba.
Mas por que foi um fracasso que você comentou? Na largada. Porque teve um dado do momento, que a gente fez várias coisas. A gente foi... Eu não sou constor, né? Meu perfil. Mas eu cheguei da Construí. A gente ajudou marcas grandes de fora do Brasil a fazer estudos, porque precisava pagar as contas. Num dado momento, um dos negócios que a gente abriu, ele foi um negócio que não deu dinheiro ao contrário.
Numa hora da história dela, a gente devia ali uma quentia considerável. Que eu olhei e falei, eu não sei como é que eu vou pagar essa conta. E mais ou menos uma semana depois eu ouvi o tamanho do rombo. Um sócio que tava meio que nos deixando na mão e descobri que a minha esposa tava grávida. Então o negócio ainda turbinou.
Aí eu falei, cara, tem que dar certo. Super size. Então foi um fracasso, mas a gente iniciou com muitos erros. Entendi. Aí iniciamos, tipo, eu não tô assim na Nokia, tava com a pomba lá em cima, não tava. Mas quando eu fui ser empreendedor na largada... Você tava. E eu falei, cara, eu sou foda, né? É, tem. Toquei muito em breza grande.
Não acho que faz parte também. Não é? Não é? E aí eu descobri que é completamente diferente. Acho que esse é um ponto legal da gente falar aqui, né? A vida do empreendedor, a gente fala com muito empreendedor, conhece muito empreendedor. A vida do empreendedor envolve muitos fracasso, geralmente muito mais fracasso do que sucesso.
Mais risco também, né? Mais risco. Porque é experimentar, testar, entender, navegar em mares que você não faz ideia se vão estar revolto, se vão estar calmos. Então eu acho interessante falar dessas perspectivas de um fracasso, porque envolve fracasso. Sim. O Julinho? Você... E a verdade é essa, né? Por que que? São muito mais fracasso do que...
Com sucesso, ó. Com sucessos e conquistas, né? Mas acho que a diferença, ela é inversamente proporcional, concentrada numa coisa que dá super certo. Exato. Então, a gente, quando vem para esse mundo do empreendedorismo, obviamente, primeira coisa que você vai se agarrar é com o seu know-how, com a sua experiência, aquilo que você tem convicção, que você faz muito bem.
Mas a tempestade, eu vou falar tempestade e depois esse... Quando o conceito te dá certo, né? Quando você é consultor e treinador, você vai vender para o seu amigo. Constutoria e treinamento. Cara que trabalhou com você, um amigo pessoal, mas olha meu, é o Julinho. Esse cara trabalhou comigo, porque eu vou contratar ele?
Aí a primeira coisa que acontece quando você é Julinho S.A., Julinho Limitada, né? Já tô pensando grande. O outro lado que te conhece, você fala, cara, beleza, vou te pagar por um treinamento 12 mil. Caramba, meu. E você não tem nada, né? Não tem nenhum projeto, 12 mil você aceita. Ali você já setou naquela empresa com aquele seu amigo que você vale 12 mil.
Só que o mercado está vendendo a 30. Exato. Então tem muito empreendedor que começa e entra e começa por baixo e isso é ruim, tá pessoal? Porque você não está se valorizando, mas ao mesmo tempo você está em algum momento da sua vida e todo mundo precisa de receita. Então os amigos não pagam, os amigos não compram, eles desconfiam, fala caramba, né?
E esse é a primeira parte da tempestade. Mas quando você passa a primeira reventação e aí você consegue fazer um projeto onde você girou valor pelo pouco que você cobrou, e isso acontece direto, né? Você cobrar o que você achou que era relevante, que é o que cabia ali. E na entrega você vê que valeu já projeto que a gente calculou mais de 100 vezes do que pagou.
Pagou 10 vezes o projeto recente. Então é muito louco, porque não tem uma tabela. A tabela é você mesmo, né? Então essa tempestade é isso, aí você erra, erra, erra, vende barato, entrega muito, tem projeto que não acaba. Então você vai se consolidando como um gestor que cuida não só da entrega, da venda, mas da administração do negócio como um todo, né?
Então tem um pouco dessa turbulência aqui nesse lugar. Esse é o do empreendedor que a gente estava falando no off record também, né? O empreendedor tem que cruzar para a Ana, cabecear, apogou. Eu acho que a coisa mais difícil é não deixar a peteca cair todos os dias, porque tem dias que eu tenho muitos amigos, alguns vocês conheceram no web summit, empreendedoras tentando fazer um negócio de colar e tudo mais.
Tem dias que são muito difíceis, principalmente... Eu acho que depende também da natureza do produto, serviço, consultoria, produtos tangíveis. Tem outros tipos de problemáticas, eu não lido com estoque, por exemplo. Acho que completamente diferente, eu nem tenho que pensar nessa estratégia. Mas eu tô com uma residência fiscal, nesse momento dupla, eu tive que aprender muito mais sobre legislação e coisas ligadas à administração de um negócio no Brasil.
Quando era muito, eu tenho muito mais noção na Itália. Então, fazer essa... ser operações, ser financeiro, quem que eu vou contratar para me ajudar com essa parte fiscal e tudo mais. E além de tudo, correr atrás do dia a dia, daí a gente quebra novas frentes, a gente criou a firma nesse monte, no meio de todas as nossas agendas.
Só que daí também, quais são as batalhas que eu preciso escolher? Eu acho que isso para mim também, no dia a dia ainda está meio... Quais são as batalhas? Escolhas e renúncias, né, Mariana? Quais são as batalhas? E realmente não dá para deixar a peteca cair, porque é você e você. E você, exato. A gente falou bastante aqui da dor do empreendedor, do empreender e do empreendedor.
Eu queria colocar a luz agora um pouco, voltar para o modelo CLT, né. A gente está vendo hoje um pouco, e aí é uma questão que eu coloco para a mesa aqui, talvez uma romantização da história do empreendedor. Se você pergunta para qualquer criança hoje, o que você quer ser quando crescer? Eu, Fernando, tenho filho, eu tenho filho também, vocês têm sobrinhos e tal.
A resposta mais recorrente é eu quero ser influencer ou tiktoker. E aí, ao mesmo tempo, e na nossa época, eu me lembro que o modelo era o tio que trabalhava 15 anos na peteca. Eu queria ser médico, eu queria ser físico no Clio. Ou advogado. Físico no Clio, eu queria ser diplomata. Exato, tinha muito isso. Só que eu falei que eu ia ter que prestar tudo o Rio Branco sem o meu avião ficar estudando 800 anos.
É difícil estudar muito. É difícil. Vou ter que estudar 800 anos. Então tinha essa questão de referência, né, que a gente constrói. E hoje tem muita essa história do gig economy, né, da economia solo, de você operar solo como um influenciador, né, que opera na gig economy. E tem outro modelinho também que acho que vale até uma pauta aqui, que é o talent as a service.
Você pode vender o teu serviço como executivo. É, tá certo. No modelo temporário. Tá proverando isso. Tá proverando bastante. Na Europa, parece que é muito... É muito e eu conheço muitas pessoas que fazem. E tem sido esse modelo que tá dando certo, principalmente para executivos jovens. Legal. Mas também quem já tá indo pro final da carreira, a minha última CHRO, agora que ela saiu da empresa, ela tá trabalhando com isso.
Ela já tá com 60 mais. Muito difícil contratação, né, no papel por empresas grandes. Porque tem também uma questão de bailós que é que até quanto você pode empregar uma pessoa e tal, tá conseguindo trabalhar com um executive as a service. Legal. Legal, né. Dá um outro respiro pra carreira, eu acho. Então, meu ponto é, parece que esse discurso da autonomia cresceu bastante, né.
O empreendedorismo cresceu muito, a gente vê as crianças com essa pegada de Tik Tok e a censura. Mas será que não tem muita romantização, gormetização nessa história de operar solo e não depender de uma empresa? Não tem uma provocação, tá? Eu acho que tem, mas eu também acho que sempre teve. É que talvez o mundo atual tenha feito isso ficar mais visível e ter mais opções, né.
Então, a gente falou de algumas das vontais no passado, mas todo mundo também queria ser jogador de futebol, queria ser jogador de vole, queria ser ator... Eu não queria ser patrita. Atriz, mas uma parte grande, acho que, das crianças, adolescente, vocês tinham também essa vontade, né, muitas vezes sem saber o que tem por trás.
Claro. Eu acho que o tema dos Tik Tokers, influencers, seja que for algo muito latente, porque aparece demais e realmente formou algumas pessoas espalhadas no Brasil, no mundo, que ganharam muito dinheiro, muito rápido. Não vou dizer que fácil, né, tem mérito pelo trabalho que fez por trás. Acho que tem isso, mas acho que existia, talvez aumentado agora.
E aí, existe uma questão de realidade, quantos desses vão conseguir? Exato. Assim como quantos vão conseguir ser jogadores de futebol profissionais, ouciosos, ou o que for. Ou bons empreendedores, empreendedoras. Eu acho que tem uma questão de até... Lembra, quando a gente faz também os nossos discursos de inteligência artificial, quando tem mediocridade, o nível baixo, você vai continuar fazendo isso.
Até para você ser uma boa influencer, um bom influencer, um bom youtuber, você tem que ler cenário, você tem que saber falar com o público, você pode usar essa oportunidade para quantas parcerias, etc. Não é todo mundo que tem essa visão. Eu acho que tem muita romantização sim, mas tem muitas formas e oportunidades de dar certo de você não ficar só, ok, eu preciso trabalhar em empresa, ou preciso abrir um negócio mesmo restaurante, ser consultor.
Você tem outras possibilidades, acho que deu uma democratizada, na verdade. Você sabe que essa democratizada, no meu ponto de vista, ela começou a nascer com a primeira bolha da internet, porque naquele momento todo mundo começou a aprender, na nossa geração, que está sendo a transição para essa nativa digital mesmo, você poderia ter uma empresa sua.
Você poderia ter uma startup, foi o primeiro ciclo das startups. E como tinha muito dinheiro no mercado, as empresas investiam nas ideias, não tinha um produto, o cara não entregava nada. A maioria dessas startups não existia. Existem, né? Quantas pessoas? E essa época era loucura, né? Eleveitropite, cara, não eleveitropite.
Ele captava dinheiro. Foi aí que mudou tudo. E esvazia de significado tudo o outro. Isso também. Segurou a minha conclusão, já até acelerou. Cria-se uma expectativa, constrói-se uma ideia, mas cadê o concreto? Cadê o que vai gerar dinheiro, o que vai pagar as contas? E ao longo dessa jornada, todo mundo romantiza essa questão de empreender, de se libertar da CLT, e ter culeão de verdade assim.
Você não sabe como vai ser o próximo mês, o seu próximo ano, a gente estava falando de tentar se planejar aqui, num fluxo aonde você está trabalhando para entregar, ou você está vendendo. Então, você sabe concatenar isso, mas principalmente ter a convicção de que nenhum dos dois lados tem romantismo, né? Você tem que entregar valor no fim.
Então, você não gerou valor monetário, nenhuma estrutura, nenhum sonho, nenhum projeto. Para de pé. Em geral, não estamos nem falando só em seu próprio negócio. Aqui é a linha de corte. O que vocês acham a coisa mais maravilhosa de ser empreendedor? Vamos lá para o outro lado do positivo. Olha que legal, você já não tem se poxa, a gente está...
Você não falta hoje. Hoje está fiel. Hoje está fiel. Você não falta hoje. Você se lembra ontem. A falta está boa, porque ela está conectando uma coisa na hora, sem nem no cigarro, na abitura do outro. O lado bom para mim de ser empreendedor é o lado de ser dono da minha agenda. Mas eu vejo alguns empreendedores tomando essa decisão de empreender, de voar solo, porque eles também romantizam muito esse lado de ser dono da agenda, e esquecem que tem o lado do rock'n'roll.
Esquecem que tem o lado da transpiração, que tem o lado do planejamento financeiro, para que as coisas aconteçam, sem tropeços. Esse é outro ponto também. Quando você não faz um planejamento financeiro, à medida que o seu fluxo do caixa vai ficando negativo, vai ficando mais esperado e fazendo mais cagada. Ou aceitando qualquer coisa, que também é uma questão.
Você não dá pra falar, vender o treinamento é o que você quiser pagar. A cagada é essa, aceita qualquer coisa. Mas o caso do Fernando não dá pra aceitar qualquer coisa, porque senão ele não entrega o produto pro cliente dele. O Fernando tem uma história legal, porque você está empreendendo agora. Conta um pouco do teu empreendimento atual hoje, que é alimentação, que é outro rolê.
E fala a parte boa, que é a pergunta, né? A parte boa de empreender. Pelo amor de Deus, não vamos esquecer a parte boa, hein? Tem que ter parte boa, gente. Hoje, montei aquela empresa, que ainda existe como uma holding. A gente operou ela durante dez anos praticamente. Um pouco depois ela começou a dar certo, a gente vendeu um pedaço dela pra um sócio, que nos ajudou muito a fazer ela crescer.
Voltei para um executivo, fiquei outros dez anos no executivo e aí, voltei a empreender de novo programado. Então hoje eu tenho dois negócios. É um negócio que é um restaurante, dois restaurantes, na verdade. Um em São Paulo, um em Florianópolis. Começou em Florianópolis e a gente abriu em São Paulo dois anos e meio depois.
O meu irmão e meu sócio. Então a gente foi resgatar um pouco, acho que, da história da família, da mãe. Mas também a gente juntou outros elementos. A gente botou elementos que a gente gosta muito, que é ligado à carne, ao mundo da parrigia, do churrasco. E a gente deu um passo além, que foi, eu acho que o mundo corporativo me ajudou muito, que é a capacidade de criar histórias e de fazer um negócio ser um sentido.
O sentido do nosso negócio é resgatar uma região, que é o Pampa, que pega a nossa região, em São Sui, Fronteira Gaúcha, Uruguai, um pedaço da Argentina. Então a gente leva a comida como uma representação de uma região, e um resgate de uma história e de uma cultura. Então, um negócio físico, não é que nem que vocês tenham construturas, o negócio é um negócio físico.
Ele abre todo dia, ele fecha todo dia. E que envolve muito serviço. O fator humano é importante. O fator humano é muito importante. Então o que faz a gente dar muito certo hoje? A comida é muito boa, com certeza. Tem que ter um lugar muito legal, simples e despertencioso, mas muito legal que conta aquela história. Mas acima de tudo é a capacidade de a gente criar uma experiência única, que remeta aquela história.
A experiência poderia ser única e não remeter aquela história. Não estava nada. Então a gente consegue fazer essa tradução inteira acontecer, levando gastronomia, levando comida, bebida, diversão, entretenimento, e contando a história que a gente quer contar, que é genuína. Toda ela é genuína. E fazendo isso junto com uma pessoa que eu gosto muito, que é meu irmão.
Então essa brincadeira toda se juntou e ficou muito divertida. Tem muita treta, Fernando. Demais. A gente tem uma parte simbólica aqui da assessora. A gente tem um negócio importante do nosso negócio, que representa aqui 15% mais ou menos da nossa receita, que não é pouca. Que chama forasteiro. Forasteiro é o prato do final de semana.
Tem a gente a habilizar. E qual é a história do forasteiro por trás? Quando a gente estava montando o negócio, o que a gente queria fazer, chega uma hora que tem que até exáir, e criar o cardápio. No restaurante produto é cardápio. Diferente de mercado que tem na partida, o que é cardápio. E essa história fazia parte dos almoços de quando eu era criança.
Qual é o cardápio? O que é que entra, o que é que sai, o que é que tem, o que não tem. A gente criando cardápio, eu e meu irmão, a nossa vontade de botar tudo. A gente queria ter 300 itens, mas não dá. Aí entra a minha parte mais cartesiana, meu irmão chefe de cozinha. E aí, cara, André, assim, diminui. Vamos ter menos itens, vamos ter pouca coisa, porque senão não tem eficiência, senão a gente não ganha dinheiro, porque estraga, é precip...
E ele é, mas e a criatividade, um dia que fica, eu falei a criatividade, fica no final de semana. Ele boa, vamos fazer o forasteiro. O forasteiro é o lugar que pode tudo. É forasteiro, ele não é da casa, é gringo, é de fora. E aí, queria um forasteiro. E aí, toda semana, a gente solta o forasteiro e aí é uma briga. Porque para mim, na minha cabeça, mais metódica, ele trabalhou comigo, a gente já deveria ter definido o forasteiro das próximas 12 semanas.
Escrito elas, feito a ficha técnica, gravado vídeos profissionais. Só que quem tem a gestão desse assunto é o meu irmão, é dele, não é meu, é dele. Eu sou votante. Segunda-feira, eu começo ligando para ele, falei, e aí o forasteiro do final de semana? Ele está pensando, falei, mas como é que você está pensando hoje é segunda?
O forasteiro tem que soltar quinta. E aí, vai, vai, vai, vai, gerando a gente quinta-feira. De manhã. 11h15 da manhã, ele me ligou, tive uma ideia. E aí, inicia. E aí, esse negócio vai. Então, a gente fica fechando o pau durante três dias, quatro dias. E não acaba ali, por que aí? Depois, tem que definir preço. Entre outras coisas, mas aí tem um lado legal do...
Acho que pelo menos da minha vida, nesse momento, né? Essa treta, ela é genuína, honesta e bem interessada. Sim. Então, não tem ali... A capa tem produtiva. Não é, é, é, não. Não estou tentando... Não é, eu... Não é. É o que que é melhor para o negócio. Exato. E dois pontos de vista, gente. E é na lata. Eu estou falando de ouvir ele, mas aí ainda tem outras pessoas ligadas.
Tem, a gente tem... Socio operador, a gente tem um chef de cozinha. A gente tem outras pessoas envolvidas que também participam disso aqui. Então, e aí é um papo muito reto, assim, coisa que... Seria inconcebível, eu não quero pro proativo falar coisas que eu falo ali na reunião com ele. Você quer falar mais? Vai? Não vai? Não vai?
Não vai? Não vai? Não vai? Não vai? Não vai? Não vai? Então a gente tem uns que também. E criam outras dinâmicas, né. A gente quer explorar esse tema do sócio, não está no roteiro, mas acho que esse tema é tão rico, né, porque eu ou empreender também, você pode empreender, só ela, mas você pode empreender com um amigo, você pode empreender com outra pessoa.
Tem história de treta com o sócio, o Marcela e Jolinho. Eu sou sócia de mim mesma no caso, né, o One Woman Show, né, sou sócia de mim mesma, só eu e minhas personalidades brigando e discutindo. A gente virou sócio agora na filma, Marcela. Já tivemos um pouco de desavenças, mas tudo com muito carinho, igual ele falou. Longe do lugar, de ofensas, etc.
Me leva para almoçar antes, né? Maurício lá de trás, falando assim... Entre tapas e beijos. Exato. Mas foi a parte, eu acho que é sempre construtiva, se não tem ofensa. É que nessas dinâmicas, igual ele falou, é muito positivo e quanto mais trazer pontos de vista, é bom. Não tem uma hierarquia, é uma coisa muito mais simples e muito mais construtiva.
O relacionamento entre sócios, ele é um pouquinho mais complexo do que um relacionamento entre superior e report. Vocês vão ver, inclusive, em um dos episódios aqui, a gente tratando desse assunto, né? Dos pares, você é dono igual ao outro, no meu caso. Todo mundo tem uma parcela de uma empresa, nossa é uma empresa americana.
Só que nós temos sócios que estão no dia a dia e que estão envolvidos para construir. A marca ainda não é reconhecida aqui, no mundo inteiro é. Então, tem um esforço dos sócios para disseminar a marca. Todos fazem? Não. Aí o que não faz, aparece cobrando coisas como se tivesse feito. Então, cara, é complicado, gente, porque por mais...
O accountability entre os sócios, ele é importante você ter sempre claro na sua cabeça, porque, como eu disse antes... Papais de responsabilidade, né? E todo mundo é responsável por algumas coisas. Por exemplo, disseminar a marca é um trabalho de todo mundo, não tem um marqueteiro, né? Vender, todo mundo que vender, porque não tem um time de vendas financeiro.
Todo mundo tem que ser financeiro. Então, eu acabei incorporando e esse que é o problema. Se você vai incorporar atividade, você deixa alinhado e depois não vem reclamar também. Então, eu incorporei toda a parte financeira, não sou financeiro e não gosto. Mas ninguém ia fazer, peguei para fazer essa parte de semina-marca, peguei e vou vir.
Só que a hora que chega, num ponto de... Como vamos remunerar a minha atividade? Não, remuner... Não, eu não vou pagar. As tretas, elas começam a surgir, cara, nas pequenas coisas, porque tem uma expectativa alta, mas, cara, por que que eu vou te pagar se é meu só? Sobre algumas atividades. A questão financeira é a primeira que explode, é a que gera as maiores tretas, assim, a ponto de quebrar, né?
E a outra é, cara, quem gerencia os projetos e as entregas, porque, às vezes, quem é o dono do projeto não consegue terminar, cara. E aí você tem que se envolver para... E o último ponto é como trazer todo mundo, né? Porque, no final, é uma equipe para fazer melhores entregas, para melhor... Então, acho que esse senso de um organismo, ele é difícil de se estabelecer.
E isso é o que tem mais gerado estresse entre a gente. E saber gerenciar o estresse, ele é essencial porque se não, quebra. A estrutura, você tem que criar uma raiz, um fundamento aqui, a base muito forte. Só que, cara, é um trabalho de todo mundo que faz parte, não pode ser um. Porque se colocou o tijolo a mais, ele vai achar que está fazendo mais trabalho pelo que ele está recebendo.
Então, é uma equação complicada, cara. A gente falou muito do alinhamento de expectativa, né, gente? Acho que... E também um pouco do meu aprendizado, da minha trajetória, é alinhar expectativa, entender quem faz o quê, quando, como, onde... Isso ajuda, não ajuda a eliminar completamente o conflito, mas ajuda a ficar um pouco mais cara.
Botar no papel é muito importante, sempre. Tem um contexto também difícil, que é quando você está numa sociedade com amigos, né, porque tem uma amizade, tem uma... É, você está bem complicado. Tem uma relação já que está construída, e aí você vai entrar numa outra agenda, né, numa agenda de construção, de trabalho. Aí tem que ter uma maturidade.
Você tem experiência nisso de como lidar com um amigo barra sócio. Eu fico com isso. Todos os negócios que eu tive até hoje, eu tive sócios. E eram seus amigos sempre sócios. Mas eram amigos? Não, não, não. Primeiro que eu abri, iniciou com um cara que era meu chefe, depois entrou na sociedade um cara que foi do meu time, que é o Luigi, que virou um baita sócio meu durante muito tempo, e que foi um puta operador, e que virou meu amigo.
Ele já era meu amigo. Eu contratei ele na Nokia, a gente virou amigo na Nokia, ele virou meu sócio e virou ainda mais meu amigo. E até hoje é muito meu amigo. Então a gente teve uma relação incrível ali. No restaurante é meu irmão, meu principal sócio do Bom Tio Cê de Tamanho, e eu tenho uma outra empresa, que é uma empresa que fabrica linguiças artesanais, que aí o meu sócio também virou meu amigo depois da sociedade.
Eu entrei quase sem conhecer ele, mas sempre tive sócios. Então confusão e briga, eu acho que a discussão faz parte. O que eu acho que tem que ter é sociedade faz sentido quando existe um complemento entre as pessoas. Exato. Se não existir esse complemento, ele não faz sentido. Por que você sócio de alguém que não está complementando aquilo que eu tenho?
Então, tu contrata a pessoa, faz o mais sentido. Eu sempre fui atrás de sócios que me complementavam. Então meu irmão me complementa. O Luigi me complementava. Nessa empresa que o Luigi foi meu sócio também, depois a gente vendeu uma parte dela para um grupo muito maior que a gente, que tinha o André, que tinha uma empresa que tinha tudo que a gente não tinha, que era retaguarda, financeiro, estruturo, cara, gente.
Então ele complementava muito. Agora, se botar uma pessoa que não te complementa, não faz sentido essa sociedade. E a outra que eu acho que a gente erra muito, os empreendedores erram muito, e eu sigo errando nisso, porque eu não fiz também o que você deveria. É não é só enlinhar as regras, é inscrever as regras. Então tu escreve as regras da sociedade antes.
E define ela. Eu tenho isso com meu irmão muito bem montado verbalmente. Qual é o meu irmão mais fácil? Mas a gente está crescendo. Tá chegando a hora da gente pegar e botar no papel essas coisas que estão entrando outros caras. E a maioria dos empresários e empreendedores esquecem de fazer isso. Posso falar uma coisa?
Não sei se é pelo jeito... Tem alguns empreendedores na família, gente que virou empreendedora. Não sei se foi muito também a vida lá fora. Uma das minhas indicações, as duas indicações de trabalho, foram uma que foi minha Matrix Manager, que hoje é VP de sustentabilidade na empresa que eu trabalhava, e minha e-chefe que também saiu.
E minha e-chefe me chamou para ser a sociedade partner dela, na empresa dela que ela abriu. Eu falei eu não quero ser sócia de ninguém, só aceito a sociedade partner, eu quero ter a minha empresa. Não faço desconto de novo. Esse erro eu não caí. Não abaixo o meu preço. Não faço desconto. No máximo eu te entrego um presentinho a mais, mas que não seja desconto de preço, porque eu não vou dar desconto na minha hora.
No máximo eu te dou uma coisinha a mais ali, e sempre coloco tudo em papel, mas isso só até com a minha família. Parece tipo a mercenária, doida e não sei o quê. Mas gente, tem uma hora que a gente não sabe o que vai acontecer. Não tem amigos, amigos, negócios a parte, sem passar a pé nem ninguém, eticamente, moralmente, e tá tudo bem falar de dinheiro.
As pessoas têm muito tabu em falar de dinheiro. A gente aqui, a nossa cultura não se fala muito disso, tanto que é o país desbancarizado, é o país que não investe, você vê o percentual de pessoas que têm dinheiro investido aqui no Brasil, é medíocre. Mas esse ponto de colocar no contrato, pessoal, todo mundo vive momentos distintos na vida.
A demanda varia, né? Não é todo mundo caminhando pro mesmo destino, final. Então, se você não tem, eu ok, a gente tá vivendo agora, revisando o contrato, que era meio Leoninho, um dos sós pegou e falou, cara, eu não aceito isso. Parei e ajudei a fazer a interface com os EUA, pra cara, realmente, se a gente é consultor, saí da empresa, e tem um non-compete de você não trabalhar no que você faz, quer ser consultor, o que você vai fazer quando sair?
Vai ficar preso, né? Eu consegui argumentar e mudar, mas o contrato, né, o firmado ali não sai caro. Porque qualquer coisa que fugir, tá amparado, não vou nem dizer legalmente, tô dizendo pessoalmente, pra não se desgastar. Cara, você lembra que te definiu que a regra é a regra? Então, assim, você precisa revisar essa regra, vamos sentar todo mundo e fazer.
Mas eu acho que o ponto, o ponto é esse, cara, é em sociedade, na vida corporativa, você tem que registrar tudo, né, formalizar, porque o barato vai sair bem caro depois, se não fizer. Eu também tenho essa experiência dura, né, às vezes o fio do bigode, né, quando tá no fio do bigode. Eu era o cara que fazia tudo no fio do bigode.
E com amigo é fácil, cara, no fio do bigode, porque amigo e tal, eu não preciso escrever, mas é bom escrever, né? Ai, gente, é bom escrever. A Itália fala, carta canta. O fundamental. Carta canta para o Levola, não? Carta canta. Vai chamar o Itália. Eu adoro quando eu lançar a Fara Itália. Não na minha vida de empreendedor, mas na minha vida executiva, eu tropei em alguns lugares e tenho dois lugares para que são emblemáticos.
Eu não vou dizer os nomes deles, tá? Não precisa. É no bom e no ruim. O bom você pode falar, o ruim não. Não, mas daí vou matar, vai entrar no Corrido do Unique de Neve. Fricadeira, gente, pode falar pra cá. Eu vou apresentar, eu não vou dizer nenhum dos dois, tá? Mas numa delas, é uma empresa muito grande, que abriu o capital e os caras, três sócios controladores, eles têm um acordo que eles firmaram lá atrás, que é uma folha de papel com princípios básicos da relação entre eles.
Um famoso guardanão? Eu não sei porque eu nunca vi, eles nunca nos mostram. Ah tá, você nunca viu. Mas eles falavam. E só os falavam. Eles eram homestempo executivos e sócios, não tinham a maioria, mas tinham ações suficientes para ter uma influência grande, tinham entre eles um acordo muito bem montado que dava muito poder.
E era impressionante a coesão que eles tinham. Tudo regido, segundo eles, por um acordo que eles nunca tiveram que tirar da gaveta, um papel que eles escreveram que se juntaram e guardaram. E era uma governança incrível. Do outro lado tem uma outra que era um caos. É uma relação societária de uma família que brigou e meio a meio e os caras se odeiam e escreveram tudo.
E escreveram tanto que travaram o negócio. Então o meu papel era tentar destravar aquilo que era travado pelo escrita entre eles. Mas se aquele documento não tivesse escrito ia ser um caos muito maior. Absoluto. Então eles têm um documento que rege a relação entre eles. É isso, é isso, é isso. A autonomia está aqui, a autonomia está ali.
Acabam sendo obrigados a trabalhar em um modelo que faça funcionar. Se eles não tivessem aquele documento escrito com a briga a empresa vai a gente ter quebrado. Vou completar só uma coisa. Eu continue pensando, eu vi no Fernando falar é que também é atribuir responsabilidades entre os sócios e as pessoas. Porque aí não fica tudo concentrado numa pessoa, não fica essa sensação de que um faz mais do que o outro.
Dentro de uma sociedade você tem que ter responsabilidade operacional, vamos dizer assim, seja o financeiro, seja o margante, mas tem que deixar claro esses papéis de responsabilidade sem dúvida, senão é caos. Muito bom. A gente não está chegando numa conclusão única aqui, mas tem alguns pontos de convergência. Que é...
Parece que não tem um caminho único para todo mundo, não tem uma fórmula pronta. Como a gente fala, não afirma. Não existe fórmula pronta. Ainda mais quando você está falando da sua carreira. Você tem um lado da segurança, que é o lado do quentinho do CLT, que é um pouco mais seguro. E tem o outro lado da autonomia. Então depende muito dos riscos que você quer correr ao longo da sua trajetória e do que você topa fazer.
O que vocês acham? Faz sentido isso? Tem alguma outra coisa nessa equação que a gente pode falar para quem ouve a gente? Para tomar uma decisão, alguém que está indeciso, não sabe se abre uma empresa, se vira o TikToker, se abre um restaurante. O que a gente pode falar para esses caras? Não é só segurança e autonomia. Eu acho que eles são parte, mas...
depende muito... Vou voltar lá no início. O que você busca? Propósito. Porque eu trabalho... Total. Tem propósito. Você quer criar mais e fazer só as coisas que você acredita. O que te faz feliz, talvez? Você prefere... O que te faz feliz? Você prefere trabalhar dentro de um universo de regras para estabelecidas, ou você prefere criar as regras.
E de novo eu não acho que é uma coisa de vida, acho que pode mudar. Eu fui executivo, fui empresário, voltei a ser executivo, voltei a ser empresário. Ontem eu estava juntando com os amigos meus, o que eu não estava... E aí, você nunca mais vai... vai ser CLT, eu falei, não sei. Hoje no meu radar, no meu desenho, eu não tenho nenhuma vontade.
Hoje, neste momento, significa que daqui a seis meses de um ano, dois anos, três anos, um ano, eu vou ter... Não significa que primeira vez eu já não tinha. Eu tinha ido a um tanto e aí surgiu, cara, numa necessidade, a gente estava vendendo uma empresa, surgiu uma empresa bacana, me fez uma oferta legal, o cargo fazia sentido, ele me dava segurança, me dava autonomia, me dava um desafio que me interessava, eu falei, foi.
Perfeito. Ou então, eu acho que é uma combinação e ela não é única para algumas pessoas. Você tem mais segurança com o mundo executivo, acho que isso aqui também é uma... Falaça. Uma falácia. Qual é a experiência que você tem? Nenhum. Então, você pode ser demitido a qualquer hora. Pode não dar certo. Ah, aí eu tenho meu fundo de garantia, tenho rescisão, tenho contrato.
Eu, à medida que eu fui crescendo, eu falei, eu fui fazendo contratos que me protejam mais. Pô, se você me contratar agora, quando você for me mandar embora, você vai me pagar uma indenização maior. É. Bem, então, você tem aqui a la proteção. Você é parte de equação, eu acho também, né? Eu acho que assim, a gente sempre tem...
Concordo com tudo o que o Fernando falou. Acho que a gente sempre tem que ter muita noção de quem somos, se olhar no espelho, continuar questionando. E questionando não no tipo, ah, eu estou sempre em dúvida, é. Ok, nesse momento da minha vida, o que faz sentido? Pra onde que eu quero ir? É, até pra escolhas pessoais, tem coisas da nossa vida, quase tudo na nossa carreira, impacta na nossa vida pessoal.
O que você tá precisando naquele momento? Qual momento também da tua família? No meu caso, os meus pais envelhecendo, sobrinhos crescendo, todos aqui no Brasil. Eu sempre atia do FaceTime. Já não tava mais gostando daquela vida. Não sei também. E de novo, a gente abordou, acho que isso no generalista e especialista. Não tem que ter medo de achar que a gente tem só um caminho pra seguir e que a vida acabou e fortalecer as redes de apoio, o network, e continuem tendo curiosidade.
As vezes numa conversa de bar ou uma conversa em um evento, você descobre uma coisa completamente diferente. Estar abertos também, a se descobrir empreendedores ou não. Muito bom, vamos pro último bloco? O diretor tá aqui, já tá quase jogando uma pedra, ele tá bravo comigo hoje, não sei porquê, mas enfim. Vai dar tudo certo, diretor.
Calma, sem quebrar a mesa. A gente tem um bloco aqui, eu sei que você vai gostar desse bloco, eu te conheço. A gente tem um bloco que chama Opinion que pode me cancelar. A gente tá todo mundo falando fofo aqui, falando pisando em maus. Não, não fofo, né? A gente até agora teve pouca... Eu achei que ia ter escorde. Eu achei, eu achei.
Então esse é o momento. Então agora... Você palé rodinha. Você palé rodinha. Agora é semiares, escorde, a mesma, cuidado pra não cancelar o programa. Você pode ser auto-cancelado, mas não canseire o programa, por favor. O que vocês têm de opinião que vai contra esse discurso dominante dessa pauta de PJ, de CLT? Pode ser uma frase, pode ser um pensamento, um devaneio.
Fala aí. Quem começa? Porquê? Que você sempre olha pra mim quando eu vou começar? Acho que... Eu posso começar. Eu não lê das outras vezes, eu lê porque eu não sabia o que falar ainda. Eu posso começar. Eu falei, alguém me socorre. Eu vou começar. Então foi um tema que eu vivi também, que a estabilidade no mundo do CLT é uma absoluta falácia.
Não existe estabilidade no mundo. Você não vai me cancelar, isso é uma realidade, né? Mas é uma realidade que eu quero colocar um pouco... Muita gente não quer ouvir isso. Essa aqui é a questão. Um pouco de dureza. Se você tá achando que a vida vai ser leve, que vai ficar sempre quentinho, não vai ficar sempre quentinho.
Se você imagina que dentro da empresa você tem um plano de carreira mesmo... Deixa eu ir no ar. Tem a certeza que esse plano não serve pra porra nenhuma, gente. Vixi. Literalmente, tá? E aqui é pra incendiar mesmo. O plano de carreira tem que ser seu. A empresa vai fazer o plano de carreira pra eles, né? Então, muda o nome, tá?
Muda o CPF. O CNPJ vai continuar lá. A autonomia não é sinônimo de liberdade. Não vamos confundir ser CNPJ ter a própria empresa, principalmente do setor de serviço com o nosso, ter toda a liberdade do mundo, essa autonomia, não sei o que, confundindo com coisa de liberdade. Tem que ter a cabeça no lugar, porque pra se afundar é um, dois.
Não vamos confundir autonomia com putaria. Exato. É mais ou menos isso. É mais ou menos isso. Eu vou usar o título do livro de um amigo meu, que é o Fábio Rodrigues, que também é executivo e depois empreendedor. E ele escreve um livro que eu acho que é muito legal, pra quem tá pensando em empreender. Vamos deixar aqui na descrição.
O livro chama-se Na dúvida, Não empreenda. E é muito legal porque o cara empreendeu e ele passa 80% do livro dizendo Não abra o teu negócio. Não abra o teu negócio. É uma cagada, tu vai errar, não faz isso. E ele discorre, ele vai até tu dizer não, apesar, eu sigo querendo abrir. Aí na final, bom, então abra. E aí depois...
Se você chegou até aqui, abra. E aí tem o segundo livro, que aí ele fala agora, que tu já tomou a solução. Exatamente. Abra, mas é na dúvida, não empreende. Então, você não tem certeza do que é fazer. Não abre, vai. Segue lá no CLT, segue na empresa, segue recebendo dos outros, que é melhor. Ideia boa é importante, mas cara, a ideia boa é só a serejinha, ali, a topinho da pirâmide, né, tem tanta coisa por trás.
Tanta, que caís. O fundo do iceberg, e ali é grande, né? Depois eu descobri que talvez a ideia não era tão boa também, né? Bom, que legal, hoje, hein? Incrível, hein? Fernando, foi incrível. Eu recebei você aqui. Obrigado pelo ter aceito o convite, pelo desafio aqui. Muito obrigada. Obrigado pela ideia que pode cancelar, gostei bastante.
Vamos lá no restaurante. Vamos lá, agora a gente vai lá. Vamos só no restaurante dele. Mas eu quero ir no de Florianópolis. Pode nos dois. A Zaninha Florianópolis, tudo bem, vai. Debera aí, o produtor. Boa. O Jatinho. Esse foi mais um episódio da firma. Se você gostou da conversa, segue o canal aí no seu tocador, comenta, compartilhe, aperta aquele botão do joinha, fique ligado nos próximos episódios.
O A Firma é uma produção do Estúdio 338, a direção geral é do Maurício de Paula, e os trabalhos técnicos são do Diego Anotanichola. Uma ótima semana e até mais. A gente se vê na próxima. Até o próximo episódio.



